
Como era a Praça da Sé antes do Metrô? Em que momento os Campos Elíseos deixaram de ser o bairro aristocrático da capital? E quais ideias orientavam o debate urbanístico de São Paulo ainda nos anos 1970? Respostas a essas e a outras perguntas agora estão reunidas na Biblioteca Virtual do Estado, um acervo com mais de 10,9 mil itens que ajudam a compreender a história do planejamento urbano da principal cidade do país.
Lançada oficialmente em dezembro de 2025, a iniciativa reúne documentários, estudos, mapas, plantas, relatórios e registros audiovisuais produzidos desde a década de 70 por órgãos como a antiga Emplasa, o Gepran e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH). Com navegação intuitiva e ferramenta de busca avançada, o acervo pode ser acessado por pesquisadores, especialistas e pelo público em geral gratuitamente (confira aqui) .
Um dos destaques da plataforma é o documentário Praça da Sé, de 1976, que revela como era o Marco Zero da capital antes da implantação do Metrô. As imagens mostram o Palacete Santa Helena ainda em pé, abrigando um dos cinemas mais luxuosos do centro paulistano, antes de ser implodido para viabilizar as obras da estação Sé (assista aqui) , inaugurada em 1978.
O registro permite revisitar um dos espaços mais simbólicos da cidade e compreender as transformações que redefiniram a mobilidade e o uso do espaço urbano no coração da capital. A Praça da Sé, ponto de referência para a medição das distâncias rodoviárias do Estado, aparece como exemplo emblemático da relação entre urbanismo, transporte coletivo e estruturação da cidade.
Transformação dos Campos Elíseos
Outro exemplo do acervo é o documentário Campos Elíseos, lançado originalmente em 1973, que registra a transformação de um dos bairros mais simbólicos da capital (assista aqui) . A produção percorre imagens de antigos casarões da elite cafeeira convertidos em habitações precárias e co leta depoimentos que retratam a violência cotidiana e a degradação urbana da região durante a segunda metade do século XX.
Com cerca de 12 minutos, o filme ajuda a compreender como os Campos Elíseos deixaram de ser o primeiro bairro aristocrático de São Paulo para se tornar um território marcado pela precarização habitacional, resultado de mudanças viárias, da intensificação do transporte ferroviário e da instalação de grandes equipamentos urbanos. Mais do que um registro histórico, a obra oferece uma leitura sobre como decisões urbanas impactam diretamente a dinâmica social dos territórios.

De Jaime Lerner ao Martinelli
A Biblioteca Virtual também preserva registros fundamentais do pensamento urbanístico no Estado. Entre eles, estão documentos e produções audiovisuais relacionados ao seminário “A Cidade e a Ordem Econômica”, realizado em 1986 como um dos primeiros grandes fóruns públicos dedicados a discutir os rumos do desenvolvimento urbano paulista. Na ocasião, o arquiteto e urbanista Jaime Lerner apresentou reflexões sobre integração de renda, mobilidade urbana e complementariedade de funções nos bairros, temas que seguem atuais no debate sobre as cidades.
O acervo inclui ainda um documentário de 1976 sobre o Edifício Martinelli, no qual Giuseppe Martinelli relata a história do primeiro arranha-céu de São Paulo, com depoimentos de antigos moradores após a interdição do prédio em 1975. Outro filme, de 1978, reconstrói o crescimento da cidade do século XIX aos anos 1970, por meio de fotografias e animações que ilustram a expansão urbana, a modernização dos transportes e os desafios impostos pelo crescimento acelerado da metrópole.
Acesso público à memória da cidade
Com ferramenta de busca avançada e acesso aberto, a Biblioteca Virtual se consolida como uma das mais completas bases digitais sobre o urbanismo de São Paulo, reunindo memória técnica, registros históricos e produções audiovisuais que ajudam a compreender a evolução das cidades e os caminhos do planejamento urbano ao longo das últimas décadas.
Acesse a Biblioteca Virtual: https://bibliotecavirtual.sp.gov.br/