
O início das atividades do projeto Rota de RExistência, iniciativa vinculada ao Programa Nosso Chão, Nossa História, foi marcado, na manhã desta terça-feira (27), pela realização do I Fórum – Cultura, Memória e Resistência: Nise da Silveira, no mega-auditório da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal). O evento integrou a programação do Janeiro Branco 2026 e reuniu gestores, pesquisadores, profissionais da saúde, representantes culturais e comunidade acadêmica.
De caráter interinstitucional, o projeto é construído em parceria entre instituições públicas e organizações da sociedade civil, com execução administrativa da Fundação de Apoio ao Ensino, Extensão e Pesquisa de Alagoas (Fepesa). A Uncisal participa da iniciativa por meio do Hospital Escola Portugal Ramalho (HEPR), contribuindo com sua trajetória histórica e com ações voltadas à cultura e à saúde mental no território. A articulação envolve ainda o Instituto para o Desenvolvimento das Alagoas (Ideal) e a Cooperativa de Jornalismo Mídia Caeté.
Inspirado na trajetória da psiquiatra alagoana Nise da Silveira, o fórum marcou a abertura do calendário de ações do projeto, que propõe atividades culturais e educativas como parte de um processo de cuidado coletivo e preservação da memória em territórios impactados por um contexto de dano socioambiental em Maceió. A programação contou com apresentação cultural do grupo Guerreiro Grande Poder, mesa de abertura institucional, palestra magna e mesa redonda temática.
Durante a abertura, a reitora da Uncisal, Pollyanna Almeida, destacou o papel da cultura como elemento essencial para a identidade coletiva e para a permanência histórica dos povos. Segundo ela, manter vivas as manifestações culturais é uma forma de resistência diante das adversidades enfrentadas pelos territórios. “Um povo precisa das suas raízes. Preservar a cultura é preservar a história que sustenta essas comunidades”, afirmou.
A coordenadora geral do projeto Rota de RExistência, Maria Derivalda Andrade, explicou que a iniciativa resulta da articulação entre diferentes instituições e organizações da sociedade civil, com ações voltadas à valorização da cultura em contextos marcados por perdas materiais e simbólicas. De acordo com ela, a proposta reconhece a cultura como expressão de identidade, memória e resistência.
Representando a Coordenação de Ações Estratégicas (CAE) da Uncisal, Ruth Barros ressaltou que a universidade atua como elo entre o Hospital Escola Portugal Ramalho e a comunidade. Para a gestora, a participação institucional da Uncisal dialoga com uma atuação conectada à realidade social e ao cuidado coletivo. “Preservar a memória dos bairros e estimular os vínculos comunitários também é uma forma de cuidar da vida social”, pontuou.
A supervisora-geral do Hospital Escola Portugal Ramalho, Helcimara Martins, destacou que o projeto nasce com a intenção de impedir que a história construída no território seja apagada. Segundo ela, os produtos culturais previstos ao longo da execução da iniciativa têm a função de manter vivas as narrativas de quem viveu os impactos, garantindo que a memória permaneça como base para o futuro. “Um povo sem memória é incapaz de construir o amanhã”, afirmou.
O ponto focal do projeto no UNOPS/ONU, Leandro Ferreira Marques, destacou a cultura como ferramenta de produção de memória e cuidado em saúde mental, além de ressaltar o protagonismo feminino na condução da iniciativa. Já a presidente do Comitê Gestor dos Danos Extrapatrimoniais, Dilma de Carvalho, enfatizou que os projetos apoiados pelo programa buscam criar ações com permanência nos territórios, mesmo após o encerramento dos recursos financeiros.
Após a mesa de abertura, o fórum seguiu com a palestra magna “Cultura e expressão simbólica na vida e obra de Nise da Silveira”, ministrada pela psicóloga Kelcy Mary Ferreira Pereira, além de mesa redonda sobre calendário cultural, memória e resistência, como parte da agenda inicial do projeto.
O Rota de RExistência integra o Programa Nosso Chão, Nossa História, iniciativa voltada à reparação de danos morais coletivos em territórios afetados por um contexto de dano socioambiental em Maceió. O programa é executado pelo Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS/ONU) e gerido pelo Comitê Gestor dos Danos Extrapatrimoniais, reunindo instituições públicas e organizações da sociedade civil em ações voltadas à memória, à cultura e à identidade dos territórios atingidos.