
O silêncio característico dos corredores hospitalares deu lugar a sorrisos, carinho e emoção na ala oncopediátrica do Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse). A visita de dois cães treinados transformou, nesta semana, a rotina de pacientes oncológicos e acompanhantes por meio do projeto de cinoterapia, uma iniciativa realizada em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe (CBMSE).
Desenvolvida há dois anos, a ação integra as estratégias de humanização do atendimento no Huse e tem como objetivo promover o bem-estar emocional, reduzir o estresse provocado pela internação e contribuir para a aceitação do tratamento, especialmente entre crianças e adolescentes. O projeto ocorre de forma periódica, a partir da articulação entre a unidade hospitalar e o Corpo de Bombeiros.
Segundo a terapeuta ocupacional do Huse, Márcia Larissa Ferreira, idealizadora da ação, a proposta surgiu da necessidade de tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor. “A presença dos cães possibilita momentos de afeto, leveza e descontração, quebrando a rotina hospitalar e fortalecendo o vínculo emocional dos pacientes durante o período de internação”, destacou.
Representando o Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe, o subtenente Thiago Garcia explicou que, mesmo com visitas mensais, os impactos positivos são perceptíveis. “A gente adequa a nossa agenda e passa a fazer essa visita. Como só está dando uma vez por mês, apesar do intervalo grande, os resultados já aparecem, tanto na aceitação do tratamento quanto desde a entrada, pela atenção que eles prendem”, ressaltou.
Durante as visitas, os pacientes interagem com dois cães da raça labrador: Jolie e Zumbi, ambos com quase sete anos de idade. “Jolie possui ampla experiência em operações de busca e salvamento. Ela já atuou no Rio de Janeiro, em Teresópolis, na região metropolitana do Recife e também no Rio Grande do Sul, durante chuvas e deslizamentos. Hoje, ela já saiu do campo operacional e realiza essas visitas. O salvamento dela hoje é outro”, explicou o subtenente. Já o cão Zumbi segue atuando tanto nas visitas terapêuticas quanto em operações de resgate.
Terapia que transforma
Para os pacientes, o impacto da visita é imediato. Isabele Matos, de 17 anos, moradora de Nossa Senhora de Lourdes, está internada há dois meses e descreveu a experiência com entusiasmo. “Eu acho interessante, eu adoro. Sei da história deles, de como eles vivem. Eles trazem uma alegria diferente”, afirmou.
A emoção também foi compartilhada pelos acompanhantes. Daniela Alessandra, mãe de um paciente de 17 anos, natural de Maruim, destacou a importância da iniciativa. “Foi maravilhosa. Que fosse repetida sempre. É uma terapia muito boa, uma alegria que nos traz alegria”, disse.
O jovem paciente completou relatando o resgate de memórias afetivas proporcionado pelo contato com os animais. “Eu já ia até dormir, mas agora me veio lembrar do meu bichinho, do cachorro que eu tinha, dos da minha avó. Eles fizeram parte da minha infância”, contou.