
O que começou como uma dor aparentemente simples no pescoço quase terminou de forma trágica para o aposentado Cícero Lins, de 65 anos. Hipertenso e ex-fumante, ele ignorou os sinais iniciais por alguns dias, até sofrer um infarto agudo do miocárdio, no último dia 23 de janeiro. Este foi o quinto susto que o coração de Cícero deu ao longo da vida. Hoje, o alagoano já está em casa, recebendo o carinho de filhos e netos.
“Era uma dor que vinha e ia embora. No começo, não dei muita importância. Com o passar dos dias, foi ficando mais forte, mas mesmo assim não procurei um médico. Teve uma vez que eu estava fora de casa, a dor incomodou muito, mas depois de uns 30 minutos sumiu. Até que foi piorando e na última vez a minha filha já me encontrou desmaiado na cama”, lembra Cícero, que é pai de 15 filhos.
Ele foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade Universitária. De lá, ele foi transferido para o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, referência em urgência e emergência cardiológica, com o suporte do programa Bate Coração, que utiliza a telemedicina para aproximar especialistas às equipes que estão na ponta, nos primeiros minutos de atendimento ao paciente.
“Quando cheguei aqui no HGE, eu estava tranquilo. Confiei no trabalho dos profissionais e fui submetido ao cateterismo cardíaco e à angioplastia. Eu fui muito bem cuidado do começo ao fim. Aqui, eu vejo os profissionais muito alegres, comemorando com a gente a nossa recuperação. Estou muito feliz por ter encontrado pelo SUS [Sistema Único de Saúde] uma atenção como essa”, afirmou Cícero, que mora em Maceió no bairro Rio Novo.
Já em casa, o pai de família está em recuperação, com orientações relacionadas à alimentação, à administração de medicações e ao acompanhamento com médico cardiologista. Com mais essa vitória, ele assumiu o compromisso consigo mesmo em melhorar os seus hábitos para evitar um novo susto. “Eu aconselho todo mundo: Não fume e jogue bola enquanto ainda pode. A gente só dá valor quando passa por isso”, disse.
Os sinais do infarto não podem ser ignorados
O infarto agudo do miocárdio acontece quando o fluxo de sangue para o coração é interrompido, geralmente por obstrução das artérias coronárias. Embora a dor no peito seja o sintoma mais conhecido, o infarto pode se manifestar de forma atípica, como ocorreu com Cícero.
Entre os sinais mais comuns estão: dor ou desconforto no peito, pescoço, mandíbula, costas ou braço esquerdo; falta de ar; suor frio; náuseas; tontura ou desmaio. O tratamento depende da gravidade, mas inclui medicações, cateterismo cardíaco e, quando necessário, a angioplastia, procedimento que desobstrui a artéria e restabelece o fluxo sanguíneo.
“Fatores de risco como hipertensão arterial, tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada e histórico familiar aumentam significativamente as chances de um evento cardíaco, muitos deles ainda presentes na rotina de Cícero, de acordo com o que ele nos relatou”, pontuou a cardiologista do HGE, Tâmarly Gonçalves.
Em caso de suspeita de infarto, a orientação dos cardiologistas é levar imediatamente o doente à UPA, ou outra unidade de pronto-atendimento mais próxima, ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) discando 191. Essa atitude agiliza a realização do tratamento, o que favorece a recuperação e afasta o risco de sequelas.
Programa Bate Coração segue salvando vidas
O atendimento rápido recebido por Cícero é resultado do Programa Bate Coração, da Sesau, iniciativa voltada para a linha de cuidado do infarto, desde o reconhecimento precoce dos sintomas até o tratamento especializado em unidades de referência. O programa fortalece o fluxo entre UPAs e unidades de referência, garantindo agilidade nos exames, no diagnóstico e nos procedimentos que fazem a diferença entre a vida e a morte.
“Casos como o do senhor Cícero reforçam a importância de procurar atendimento ao primeiro sinal de alerta. O infarto não tem um único padrão de dor, e qualquer desconforto persistente deve ser investigado”, enfatizou o diretor médico, Miqueias Damasceno.
O tratamento rápido, com cateterismo e angioplastia quando indicado, reduz drasticamente o risco de morte e sequelas. O Bate Coração tem sido fundamental, mas a oferta de equipe qualificada, equipamentos tecnológicos e insumos no HGE garantem que esse perfil de paciente encontre o serviço especializado que necessitam, na hora que precisam, para recuperar as suas vidas.
 (1).jpg)
 (2).jpg)