
A Central do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Maceió concluiu, nessa sexta-feira (30), o Curso de Suporte Básico de Vida em Atendimento Pré-Hospitalar (APH-Básico), capacitando técnicos de enfermagem e condutores socorristas dos municípios de Coruripe, Maceió, Rio Largo, Joaquim Gomes e São Luiz do Quitunde. As aulas teóricas e práticas foram ministradas no Núcleo de Educação Permanente (Nep), no bairro do Farol, e habilitam os profissionais a atuarem em qualquer região do país no atendimento móvel de urgências e emergências.
Nos dois últimos dias do curso, os participantes aprofundaram conhecimentos em temas como segurança do paciente — com abordagens sobre biossegurança e riscos ergonômicos, físicos, químicos e biológicos para equipes e vítimas —; urgências neurológicas, com foco no reconhecimento rápido do Acidente Vascular Cerebral (AVC) e manejo inicial; intoxicações exógenas em adultos e crianças, com ênfase na identificação precoce de sinais de gravidade desde a regulação telefônica e no uso de antídotos; síndrome coronariana aguda, com protocolos para dor torácica e infarto; sinais de morte evidente, com critérios clínicos para cessação de esforços; além de urgências pediátricas, incluindo reanimação neonatal.
Também foram discutidas as síndromes respiratórias agudas no adulto e os desastres com múltiplas vítimas, diferenciando Incidente com Vítimas em Massa (IVM), de impacto coletivo amplo, e Incidente com Múltiplas Vítimas (IMV), de escala local. Outro ponto de destaque foi a triagem START (Simple Triage and Rapid Treatment), método essencial para priorização de atendimentos em cenários complexos.
As urgências obstétricas e psiquiátricas também integraram a programação, com orientações sobre abordagem humanizada em crises emocionais e contenção segura de pacientes em surto ou em situação de risco.

Diante de cenários críticos, como desastres — eventos caracterizados por perdas humanas, materiais ou ambientais, com impacto direto na saúde pública —, o curso aprofundou os protocolos para Incidentes com Múltiplas Vítimas (IMV), quando o número de feridos sobrecarrega temporariamente os recursos locais, e Incidentes com Vítimas em Massa (IVM), que exigem mobilização regional ou estadual.
Em ambas as situações, a atuação segue etapas estruturadas: busca e resgate das vítimas, triagem rápida pelo método START, estabilização inicial no local, rastreamento contínuo dos pacientes, assistência médica definitiva e evacuação — transporte organizado das vítimas para unidades de referência, assegurando fluxo seguro e priorização conforme a gravidade.
Múltiplas vítimas
A enfermeira Eliza Vitória Nascimento Figueredo, residente em Emergência Geral e Atendimento Pré-Hospitalar (APH) e uma das instrutoras do curso, destacou a importância da organização do atendimento em cenários caóticos.
“Médico, enfermeiro e técnico têm papéis complementares e não intercambiáveis: o primeiro lidera as decisões clínicas, o segundo coordena os cuidados e o terceiro executa procedimentos sob supervisão. Já o condutor socorrista é peça-chave na logística, ao estacionar em local seguro, sinalizar a área, garantir o acesso das equipes, orientar a chegada de outras ambulâncias e fazer o transporte dos pacientes conforme a classificação de risco. Estimar o número de vítimas, avaliar a necessidade de reforços e manter a comunicação com a Regulação Médica são ações que definem o sucesso da operação”, ressaltou, reforçando que a sinergia entre as funções salva mais vidas, mesmo sob pressão.
Sobre as urgências psiquiátricas, o médico socorrista Raphael Carvalho, pós-graduado em Psiquiatria, destacou cuidados essenciais durante o atendimento.
“O profissional deve reconhecer sinais de gravidade já na regulação, avaliar riscos no local e agir com segurança. Evitar julgamentos, manter vigilância contínua e proteger a equipe são princípios fundamentais. Um atendimento inadequado pode agravar o quadro do paciente e colocar vidas em risco”, alertou.
Para o coordenador-geral do Samu de Alagoas, médico Mac Douglas de Oliveira Lima, a capacitação é determinante para a qualidade do serviço.
“Um profissional bem preparado reduz drasticamente o tempo-resposta e aumenta as chances de sobrevida. Este curso não apenas atualiza protocolos, mas forma agentes capazes de tomar decisões assertivas sob pressão, garantindo eficiência e eficácia desde os primeiros minutos do atendimento”, afirmou.
O coordenador do Nep, médico Luiz Antonio Mansur Branco, destacou o alcance nacional da certificação. “Quem conclui este curso com aproveitamento está apto a atuar em qualquer estado brasileiro. Os conteúdos seguem diretrizes do Ministério da Saúde e são constantemente atualizados. O ensino continuado não é opcional; é condição para mantermos um serviço de referência em assistência pré-hospitalar”, enfatizou.

A técnica de enfermagem Emilly Suele de Lima Santos, do município de Joaquim Gomes, ressaltou a importância da troca de experiências proporcionada pela capacitação.
“Conviver com colegas de outros municípios e aprender com especialistas atualizou nossos conhecimentos e fortaleceu nossa rede de trabalho. Saímos mais seguros para enfrentar as demandas do dia a dia nas ruas”, avaliou.
Ao final do curso, os participantes foram submetidos a simulações práticas de atendimento a casos clínicos, orientadas e discutidas pelos instrutores, envolvendo triagem pelo método START, AVC, choque, convulsão e síndrome coronariana.