
Com ruas de pedra que atravessam séculos, jardins floridos e uma das catedrais mais importantes do mundo, Canterbury, no sudeste da Inglaterra, tornou-se cenário e personagem de uma experiência que marcou a vida de estudantes da rede estadual de Alagoas. Foi nesse ambiente, conhecido como um verdadeiro “campus medieval vivo”, que os jovens viveram uma imersão cultural e acadêmica que vai muito além do aprendizado da língua inglesa.
Canterbury não é uma cidade comum. Ela é a capital espiritual da Inglaterra e o berço do cristianismo no país. Sua fundação remonta ao tempo dos romanos, mas foi no ano 597 que Santo Agostinho chegou à região para converter os anglo-saxões, tornando-se o primeiro Arcebispo de Canterbury.
A cidade é famosa mundialmente por sua Catedral, sede da Igreja Anglicana, um monumento gótico imponente que guarda histórias de reis, cavaleiros e o famoso martírio de Thomas Becket. O avanço da maior política de bilinguismo de Alagoas A experiência integra um programa que cresce a cada edição. Em 2024, o Governo de Alagoas iniciou o projeto levando 50 alunos.
Em 2025, a Seduc ampliou a oportunidade para 100 estudantes. Agora, em 2026, o Daqui pra Mundo alcança um novo patamar de investimento, serão duas edições no mesmo ano. A terceira edição, com 150 selecionados, tem embarque previsto para maio de 2026.
As inscrições foram encerradas no último sábado, dia 31 de janeiro, mobilizando jovens de todas as regiões do estado. O resultado deve ser anunciado ainda em fevereiro. Além disso, a quarta edição já foi prometida pelo governador Paulo Dantas para o segundo semestre de 2026, consolidando a maior política pública de intercâmbio da história do estado.
Dos estudantes que viajaram em 2025, 20 tiveram a chance de conhecer Canterbury, um dos maiores destinos de peregrinação da Europa, que inspirou a obra “Os Contos da Cantuária”, de Geoffrey Chaucer, um marco da literatura mundial que ajudou a consolidar o uso da língua inglesa. Séculos depois, a cidade segue sendo um polo de encontros, estudantes de todo o mundo dividem salas, sotaques e sonhos na Stafford House Canterbury, escola reconhecida pelo ensino personalizado e turmas multiculturais.
Um mundo inteiro dentro da sala de aula
Para Matheus Costa, de 18 anos, aluno do Colégio da Polícia Militar Tiradentes, em Arapiraca, estudar na Stafford House foi uma experiência difícil de traduzir em palavras. “Foi uma das melhores experiências da minha vida. Não só por estar em outro país, mas por estar em um ambiente completamente novo, com pessoas de várias nacionalidades”, relata. Em sua sala, conviviam estudantes do Japão, Turquia, Espanha, Itália, Tailândia e outros países.
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A convivência multicultural se transformou em amizade. Matheus conta que mantém contato com colegas de diferentes países, como um japonês chamado Shuhei, um turco chamado Sarp e duas italianas, Sara e Giulia. “Mesmo depois da viagem, a gente ainda troca mensagens. Também mantenho contato diário com minha host family. É uma relação que virou parte da minha vida”, afirma.
Segundo ele, as aulas eram sempre dinâmicas e interativas, com professoras carismáticas que incentivavam a participação de todos. “Isso nos obrigava a conversar com pessoas novas o tempo todo. A escola também organizava passeios pela cidade, o que tornava tudo ainda mais próximo”, conta.
Ainda de acordo com Matheus, o mês longe da família foi um exercício de autonomia. “O medo existe, mas atravessar esse medo é o que te permite viver algo imperdível. Entendi que nada cai do céu. Foi minha maior motivação para correr atrás dos meus objetivos”.
Um sonho que saiu da tela
Natural de Olho d’Água Grande, a aluna da Escola Estadual Anália Tenório, Ana Júlia, 18, encontrou em Canterbury o cenário ideal para unir suas paixões por Literatura e História. “Era viver de verdade o intercâmbio que eu só via nos filmes”, conta.
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Ela relata que os professores faziam questão de misturar alunos de diferentes países para que o inglês fosse praticado por todos. O passeio a Londres foi um dos momentos mais simbólicos. “Quando vi o Big Ben, percebi que todo o meu esforço na escola tinha me levado até ali. Mas Canterbury foi especial. As flores, os jardins… eu sabia que aquela era a cidade perfeita para o meu intercâmbio”, disse.
Ana Júlia afirma ainda que voltou transformada. “Aprendi que a educação transforma vidas. O programa me deixou mais confiante, mais corajosa e me fez perceber que não existem barreiras para os nossos sonhos”.
Aprender vivendo, todos os dias
Sara Souza, 16, da Escola Estadual Professora Irene Garrido, em Maceió, viveu uma experiência que dialoga com seu sonho de cursar Direito. Canterbury é referência histórica na formação do Common Law, o sistema jurídico britânico. “O intercâmbio te obriga a fazer as coisas sozinha. Isso me deixou mais confiante”, contou.
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Ela se encantou com a convivência diária e as atividades como a cookery class (aula de culinária). Um dos momentos mais emocionantes foi a despedida. “A gente começou a conversar sobre a viagem, sobre a amizade, e teve muito choro e abraço. Foi o meu dia favorito”, diz.
Criação, silêncio e novos horizontes Nicolas Pedrosa, 16, do Colégio Tiradentes,em Maceió, focado em design e ilustração, encontrou na sonoridade da cidade sua inspiração. Canterbury é estudada por artistas de paisagem sonora pelo eco da catedral e o silêncio de suas ruas. “Passear sozinho é mais pacífico”, afirma ele, que preferiu explorar a cidade observando o cotidiano. A escola ajudou a aprimorar seu speaking e writing. A viagem ampliou sua visão de futuro.
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“Para construir segurança e conforto, será preciso ir além”. Canterbury, com sua mistura de tradição e inovação, ajudou a abrir esse caminho.
O olhar de quem acompanha
Para a monitora Ariana Ferro, acompanhar os estudantes foi algo “simbólico, único, impossível de repetir”. Ela destaca o amadurecimento dos alunos ao lidarem com a rotina britânica, desde a alimentação até o uso do transporte público. “Eles voltam mais confiantes, cheios de ideias, com sonhos e metas claras”, afirma.
Para ela, o programa é uma conquista da sociedade. “O Daqui pro Mundo mostra a força de Alagoas. É um projeto que prepara para a vida e para o vestibular, ensinando a olhar para o mundo com curiosidade, coragem e responsabilidade. Se tudo der certo, você terá uma experiência extraordinária que, com certeza, vai mudar sua vida”.