
Em um assentamento que reúne cerca de 300 famílias no semiárido alagoano, a Associação Pegadas na Caatinga consolida um modelo de desenvolvimento territorial que integra preservação ambiental, educação patrimonial e geração de renda. A iniciativa demonstra, na prática, como os Negócios de Impacto podem fortalecer economias locais a partir das vocações do próprio território.
Estruturada a partir da mobilização comunitária e fortalecida com o apoio do Instituto Federal de Alagoas (IFAL), por meio de projeto voltado ao Complexo Arqueológico da região, a associação passou a atuar com foco na educação patrimonial e ambiental, no cuidado com o bioma Caatinga e na organização de um modelo de economia criativa e solidária baseado no turismo de base comunitária.
O trabalho da associação parte da premissa de que a Caatinga é um bioma vivo, resiliente e estratégico para o desenvolvimento sustentável do semiárido. A atuação envolve o uso responsável da biodiversidade, a valorização dos frutos nativos, das ervas medicinais e dos conhecimentos tradicionais acumulados ao longo de gerações.
Com capacitações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Embrapa, além da troca de saberes entre moradores mais experientes e a juventude local, a comunidade fortaleceu sua atuação técnica e ampliou a consciência sobre a importância da preservação ambiental e cultural.
A compreensão é clara: sem a proteção da biodiversidade da Caatinga, não há qualidade de vida, permanência no território nem conservação do patrimônio arqueológico existente na região.
De acordo com uma das associadas, Ana Paula, o turismo estruturado pela associação oferece experiências que vão além da contemplação paisagística. “Além de aproveitar as paisagens, incorporamos vivências culturais, gastronomia regional e educação ambiental, agregando valor à cadeia produtiva local”.
Geração de renda e permanência no território
A Associação Pegadas na Caatinga adota como princípio que “transformação social está diretamente vinculada à transformação econômica”. O modelo, segundo a associada Ana Paula, fortalece agricultores familiares, artesãos, pescadores, condutores locais, benzedeiras, contadores de histórias, mateiros, cozinheiras e doceiras, promovendo inclusão produtiva e valorização dos saberes tradicionais.
“A juventude ocupa papel estratégico nas ações desenvolvidas, contribuindo para reduzir o êxodo rural e estimular a permanência qualificada no território. Toda a comunidade é beneficiada, seja por meio da oferta de serviços, da comercialização de produtos ou da participação em formações e capacitações”, explica.
A governança é coletiva e transparente: os recursos gerados são reinvestidos na própria comunidade, garantindo sustentabilidade ao modelo e distribuição justa dos resultados.
Estratégia para a economia alagoana
Experiências como a da Associação Pegadas na Caatinga dialogam diretamente com o trabalho e seguem acompanhadas pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Sedics), por meio da superintendência de Desenvolvimento e Sustentabilidade, dentro da estratégia de fortalecimento dos negócios de impacto e da economia solidária em Alagoas.
A iniciativa dialoga com o ecossistema estadual impulsionado por ações como o Simpacto, que vem estruturando o ambiente de articulação, capacitação e visibilidade para empreendimentos que unem geração de renda, inovação e responsabilidade socioambiental.
Para a superintendente de Desenvolvimento e Sustentabilidade, Camila Marinho, iniciativas dessa natureza são estratégicas para consolidar um ecossistema de negócios de impacto no estado.
“Iniciativas como a Pegadas na Caatinga demonstram que é possível transformar ativos ambientais e culturais em oportunidades econômicas sustentáveis. Ao fortalecer negócios de impacto e empreendimentos da economia solidária, Alagoas avança na construção de um modelo de desenvolvimento mais inclusivo, resiliente e conectado às potencialidades do semiárido.
Ao transformar a Caatinga em ativo econômico sustentável, a associação reafirma que o semiárido alagoano possui potencial estratégico para gerar oportunidades, inovação social e crescimento com responsabilidade ambiental.