
O Hospital de Emergência do Agreste (HEA), em Arapiraca, realiza, em média, 80 mil atendimentos por ano. E para assegurar esse montante, uma gande engrenagem funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, sendo sustentada, majoritariamente, por mulheres, uma vez que, mais de 60% dos profissionais da unidade são do sexo feminino.
E a força feminina não se resume às estatísticas. Está nas decisões administrativas, no acolhimento às famílias, na organização dos processos internos e na assistência prestada diariamente à população. Isso porque, o HEA atende a população dos 46 municípios das regiões Agreste, Sertão e Baixo São Francisco, que integram a II Macrorregião de Saúde de Alagoas.
São profissionais firmes nas decisões, atentas aos detalhes, exigentes com protocolos e comprometidas com resultados. O crescimento da instituição hospitalar, ao longo dos anos, ampliou responsabilidades e serviços, exigindo uma gestão qualificada, com uma olhar sensível à causa dos pacientes, em que majoritariamente as mãos femininas executam as tarefas assistenciais e gerenciais.
Mãos femininas na gestão
À frente da direção-geral está a fonoaudióloga Bárbara Albuquerque, de 41 anos. Casada e mãe de dois filhos, conduz a gestão de uma estrutura que não interrompe atividades. “A vida é corrida, mas sabemos que é pelo bem-estar da família, dos profissionais e dos usuários do serviço público de saúde”, afirma.
Para ela, a capacidade feminina de assumir múltiplas responsabilidades impacta diretamente na rotina hospitalar. “Não é fácil desempenhar tantos papéis, mas é possível. Essa dedicação está presente em cada setor”, pontua Bárbara Albuquerque.
A diretora-geral do HEA também fez questão de registrar o reconhecimento às mulheres que atuam na unidade. “Quero agradecer e parabenizar todas as mulheres do Hospital de Emergência do Agreste. Cada uma, na sua função, contribui diretamente para que o atendimento aconteça com responsabilidade e respeito. O trabalho de vocês sustenta esta instituição hospitalar todos os dias”, enfatiza.
Mãos femininas para a expansão
Referência em trauma quando foi inaugurado em julho de 2003, o HEA seguiu um novo caminho durante o período da Pandemia de Covid-19. Por meio de mãos femininas em postos estratégicos, o hospital assumiu papel fundamental no atendimento aos pacientes acometidos pelo coronavírus, com reorganização interna e ampliação de áreas assistenciais. Ficou dividido entre Trauma e Covid-19.
Nos últimos anos foram estruturadas linhas especializadas como a Unidade de AVC, a Unidade Especializada em Pré-Natal de Alto Risco (Uepnar), a Área Lilás para acolhimento de vítimas de violência, a ala de atendimento vascular, o Serviço de Atenção à Pele e Feridas, a assistência para hemorragia digestiva alta, além do aumento no número de leitos da Unidades de Terapia Intensiva (UTI).
O HEA também avançou na política de transplantes, por meio da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) e implantou o Programa Preparando a Volta Para Casa. A maior unidade hospitalar do interior do Estado mantém, ainda, o Projeto Sala de Espera, a Brinquedoteca Alegre e Brinque e investe na formação profissional, por meio de estágios para universitários, residência médica, residências em saúde e atuação constante do Núcleo de Educação Permanente (NEP).
 (1).jpg)
Por trás desses números e serviços, estão histórias que ajudam a explicar o funcionamento diário da instituição hospitalar. A assistente social Jannyne Gomes, de 43 anos, atua há 16 anos na profissão e há quatro no HEA. Há cinco meses assumiu a Coordenação do Serviço Social. Dos 25 profissionais do setor, apenas um é homem. "Somos o contato com a família do paciente, garantimos direitos, orientamos sobre benefícios e acompanhamos situações de vulnerabilidade”, afirma.
Segundo ela, parte da rotina envolve esclarecer pacientes sobre seguro após acidente de trânsito e direitos previdenciários. “Muitos chegam sem informação. Nosso papel é orientar e acompanhar cada caso com responsabilidade.” Para Jannyne, liderar exige escuta e equilíbrio. “É preciso ouvir a equipe e entender que ninguém trabalha sozinho”, afirma.
Casada, mãe, líder, Jannyne se desdobra para cumprir as funções. “É o poder feminino de atuar em várias frentes e fazer dar certo”, declara.
 (4).jpg)
Na Gerência de Enfermagem, o maior setor da instituição hospitalar, a presença feminina também é predominante. A enfermeira Dayse Nunes, de 37 anos, soma 15 anos de atuação no HEA e assumiu a gerência neste ano. Casada, mãe de duas crianças, ela relata que a rotina é exigente.
“A Enfermagem é formada, em sua maioria, por mulheres. O paciente chega com dor e precisa ser acolhido com respeito. É o que entregamos. Não é simples conciliar casa, filhos e uma função de gestão. Mas seguimos com responsabilidade e amor”, ressalta Dayse Nunes.
Mãos femininas na limpeza
 (3).jpg)
Nos serviços gerais, Edijane Maria da Silva, de 37 anos, completa cinco anos de atuação no HEA. Casada, mãe de dois filhos, destaca a responsabilidade do trabalho, afinal, cada detalhe interfere na segurança hospitalar. “A limpeza exige atenção permanente. O ambiente precisa estar adequado para quem está internado e para quem trabalha. Assim como eu saio cedo para trabalhar, outras pessoas também saem para cuidar de alguém. Aqui, a gente cuida de quem cuida e de quem precisa”, revela.