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PM: O amor materno é a herança mais eterna que se pode deixar aos filhos

A trajetória de uma militar que através da confeitaria tornou sua vida e da filha mais doce, mesmo com o amargor da perda

Colaboração para o Jornal Online Alagoas
Por: Colaboração para o Jornal Online Alagoas Fonte: Secom Alagoas
10/05/2026 às 12h10
PM: O amor materno é a herança mais eterna que se pode deixar aos filhos
PM apresenta a história inspiradora de uma de suas heroínas, a 2º Sargento Bianca Lima - Fotos: Igor Lessa / Ascom PM-AL e Arquivo Pessoal
Renata Morais / Ascom PM-AL

Uma palavra monossilábica, mas que carrega um universo de significados. A que cria ou gera a vida e nos traz ao mundo, protetora, amiga, defensora, colo, aquela que carrega por nove meses e continua ao lado até o fim: mãe, nome insubstituível. Neste Dia das Mães (10), a Polícia Militar de Alagoas (PM-AL) apresenta a história inspiradora de uma de suas heroínas, a 2º Sargento Bianca Lima, lotada no Comando de Missões Especiais (CME). Uma mulher que aprendeu a fazer mágica na cozinha, principalmente com doces, legado deixado por sua mãe, que partiu há oito anos. Hoje, ela será a quarta e última personagem da série de matérias especiais “Além da Farda”, 2ª temporada.

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Revisitando álbuns 


A penúltima a nascer de quatro irmãos, um time alagoano equilibrado, duas garotas e dois meninos. Das lembranças coloridas da infância, a 2º Sargento Bianca recorda das viagens no fusquinha da família. O sustento e mudanças vinham do emprego de gerente de supermercado do pai, residindo nas cidades de Pernambuco, Sergipe e Alagoas. A diversão também chegava de outras formas. A mãe, Dona Edleusa Lima, registrou no coração dos filhos algo impagável: o amor através do cuidado.




“A minha mãe era muito boa na cozinha, então, tive o privilégio de ter lanches saudáveis e outros nem tanto”, fala entre risos. “A nossa rotina era essa, sempre rodeada por uma boa comida, tudo acabava numa mesa farta”, relata.


Em casa, quando criança, a militar nunca saía da escolta da mãe, sempre de olho no que fazia e como fazia. E  assim, a herança imaterial mais valiosa da família Lima, foi transmitida. 


“Minha mãe durante muito tempo era do lar, ela não trabalhava fora, só em casa. Eu sempre estava ali, pertinho, como ela dizia às vezes ‘sai dos meus pés, menina’. Então muito do que eu aprendi nessa vida foi observando. O primeiro recorte dessa fase, de autonomia na cozinha, eram os nossos aniversários em casa, ainda no tempo em se fazia um bolo grandão”, rememora.




Hoje, a aprendiz tornou-se mestra. Cozinhar para Sargento Bianca passou a ser um passatempo, repleto de significados e direcionado exclusivamente a quem faz parte de sua família. “Sim, lá em casa eu sou a referência.  Vai ter um aniversário, ‘A Bibi faz o bolo, faz os doces’. Eu não trabalho com encomenda, não vivo mais dela, tornou-se um hobby. Gosto de presentear os amigos, às vezes sou eu mesma que garanto que levo o doce. É um prazer para mim”, sintetiza.


A doçura do mundo da confeitaria é um alento, é uma conexão com um passado feliz e que traz à tona a importância das raízes.


“Quando estou fazendo os doces ou algo no dia a dia, mamãe me faz falta.  Nas coisas simples, no que eu queria conversar ou perguntar.  Dizem que o pior dia do luto é em um dia comum. Sinto falta dos conselhos, das broncas, da parceria, do olhar de admiração. A vida muda depois que a mãe parte, mas sei que ela está descansando orgulhosa do que fez”, finaliza.




No quartel, cumprindo o dever mesmo na dor


De um anúncio na TV, a recém formada em educação física, Bianca, assistia uma propaganda de emprego. A carreira policial era estranha, porém com o apoio da mãe teve a força de que precisava para seguir.


“Estava num período como concurseira e eram muitas vagas. Encarei como sendo uma oportunidade. Eu confesso que não tinha o menor entendimento nem do que era um soldado ou sargento. Caí na polícia meio que de paraquedas, mas desde o ingresso na corporação, pude me encontrar, hoje sinto-me vocacionada. Minha mãe também viu o comercial, ela me influenciou. Lembro de chegar fardada, lotada primeiramente na antiga Rádio Patrulha, boina preta, braçal, ela olhar e admirar ’Como você está linda!’ . Sempre me apoiava, era uma entusiasta da minha carreira”, recorda a policial.




Ao entrar no Curso de Formação de Praças (CFP), em 2010, a vida já forjava a 2º Sargento Bianca, quatro dias antes perdera o pai. Com a filha bebê, os doces passaram a ser uma atividade familiar, gerando uma segunda renda.


“Antes do curso, passamos por um período financeiro meio difícil. Vendíamos bolos, doces e salgados numa tenda na porta da casa da mamãe. Quando ingressei na PM, a minha filha tinha dez meses, fizemos uma pausa e as encomendas ficaram apenas nos finais de semana. O curso era de segunda a sexta, de manhã até a noite.  Lembro de como aluna estar bem cansada e mamãe mandar uma mensagem ‘Bi, peguei uma encomenda de 100 doces, tu faz quando chegar,né?’. Meu Deus, fiz, só pedi para ela embalar, pois precisava dormir”, relata.




“Realizei essa atividade em paralelo até o momento que mamãe nos deixou em 2019, depois parei. Hoje quando produzo um bolo é minha linguagem do amor, são os atos de serviço, se eu cozinhar para você, é porque te amo”, completa emocionada.


Para a Sargento, mostrar essa outra face é essencial, lembrar que além da farda, em razão do serviço,  o militar precisa conter suas características mais humanas.


“Somos mães, filhas e temos família e até hobbys. Toda pessoa tem um passatempo. Estamos dentro da mesma sociedade de tantas camadas, personalidades e identidades, somos parte dela. Igual a alguns, meu hobby é fazer doces, essa é minha válvula de escape da pressão de um dia comum. Sou igual a Maria da esquina ou o João comerciante”, conclui.




O legado da maternidade 


Era domingo, hora do almoço, todos comemoravam mais um aniversário de Ana Clara, sobrinha da então grávida, Sargento Bianca. Aquela alegria, as risadas, todo aquele barulho chamou a atenção de uma pessoa muito especial, alguém que queria participar, só faltava nascer. Um dia depois, Sophia estreava no mundo e tornava-se o universo da mãe e avó.


“Entrei em trabalho de parto às 6h, ela nasceu às 11h, mamãe foi a primeira quem chamei. Nunca esqueci a primeira vez que vi aqueles olhinhos, aquele rosto, cabelinho preto, branquinha. Ainda lembro de tentar senti-la e me assustar por não estar mais na barriga. O parto foi normal, rápido. Tudo muito tranquilo, tanto que digo sempre, gostaria de ter sido mãe de uns cinco”, esclarece.




“Minha parceira na criação da Sophia foi mamãe. Fazíamos tudo juntas, em família. Lembro de irmos dançar e curtir as músicas da Banda da PM do Vem Ver a Banda Tocar. Depois, era praia e comer besteira”, aponta.


No início da carreira, Sargento Bianca enfrentava muitos desafios, mas se refugiava no colo de outra mulher, que inclusive a ajudava a ser mãe de primeira viagem.


“Ainda amamentava e a mamãe segurou toda a barra enquanto eu estava fora. Houve noites que estava de serviço interno, não podia me ausentar do quartel. Dona Edleusa levava Sophia para eu amamentar, principalmente quando o seio doía por estar cheio”, traz a militar.




As lembranças de Dona Edleusa permeiam a casa de sua filha e netas, ainda assim são influências marcantes na vida delas. “Fiz questão da máquina de costura, dos livros e caderno de receitas de mamãe. Recentemente minha filha e minha sobrinha Ana Clara, que considero como filha , exigiram cadernos para elas. Estão em produção, vez ou outra estou atualizando”, brinca.


“Minha mãe cumpriu a missão dela. Foi muito presente, mesmo com todas as limitações, foi eficiente na nossa educação. E é isso que quero para Sophia. Torná-la uma pessoa autossuficiente, uma cidadã exemplar. Vou orientar, com meu jeitinho de mãe, o melhor caminho. De toda forma, serei feliz se ela estiver também, porque ela já me faz descansar, sou orgulhosa de quem ela é. Isso aprendi com minha mãe. Aqui estamos com todo seu legado”, finaliza.

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