
A Secretaria de Estado da Educação (Seed), por meio do Departamento de Educação (DED) e do Serviço de Educação do Campo e Diversidade (Secad), realizou, nesta sexta-feira, 28, a primeira edição do ‘Seminário Educação e Equidade: Caminhos para uma Escola Antirracista’. Realizado no Complexo Cultural Gonzagão, em Aracaju, o evento teve como público-alvo professores e gestores escolares da rede pública estadual de ensino e reafirma o compromisso da Seed no enfrentamento aos racismos estrutural e institucional no ambiente escolar, além de incentivar a troca de experiências e o compartilhamento de estratégias pedagógicas que valorizem a diversidade cultural presente no estado.
Com programação iniciada às 8h, o encontro contou com uma apresentação cultural performada por alunos do Centro de Excelência Nelson Mandela, mesas de compartilhamento de práticas, palestra e o lançamento do e-book ‘Práticas Antirracistas no Cotidiano Escolar’.
O livro digital reúne 170 práticas educativas contempladas com o Selo Escola Antirracista Professora Maria Beatriz Nascimento (edição 2024). A obra representa a materialização do conhecimento produzido nas escolas, fortalecendo a identidade coletiva na promoção de uma educação antirracista e reafirmando o cumprimento das Leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura africana, afro-brasileira e indígena no currículo escolar.
O encontro apresentou, também, as ações desenvolvidas em atendimento à Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq), assim como experiências de dez unidades escolares que implementaram práticas antirracistas em seus cotidianos.
Para o secretário de Estado da Educação, Zezinho Sobral, as políticas antirracistas implementadas nas escolas sergipanas representam um avanço significativo na construção de ambientes escolares mais justos e acolhedores. “Uma escola pública, inclusiva e que tem a formação social como uma dinâmica precisa incorporar determinadas ações. Essa, do Selo Escola Antirracista Professora Maria Beatriz Nascimento, é uma ação que já se validou em Sergipe. Já estamos em sua terceira edição e ela tem sido responsável por diversos avanços, como a redução do bullying e a criação do sentimento de pertencimento”, afirma Zezinho.
A coordenadora do Serviço de Educação do Campo e Diversidade (Secad), Geneluça Santana, destaca a importância da iniciativa. “Estamos num mês importantíssimo para a comunidade negra, em que a gente revê o que nós estamos fazendo para fortalecer as identidades e a construção da consciência racial. E a Seed, hoje, entrega neste seminário o que a rede estadual vem produzindo e realizando para implementar a lei, combater o racismo e valorizar a contribuição dos povos negros e indígenas para nossa sociedade”, ressalta.
O diretor do DED, Genaldo Freitas, enfatiza o impacto positivo da discussão do tema para os alunos. “A pauta da equidade é importantíssima, porque quando vemos a diferenciação de raça, cor e até mesmo de gênero nas escolas, faz com que a gente tenha uma visão de como o Brasil é miscigenado e que tem a necessidade de olhares diferenciados”, expressa.
Professores que participaram do encontro também destacaram a importância do Selo Escola Antirracista no cotidiano escolar. Para muitos, a iniciativa não apenas fortalece o compromisso com a equidade racial, mas também amplia o olhar pedagógico sobre práticas inclusivas.
“Avalio o Selo Antirracista de grande importância, porque ele trouxe para dentro da escola algo que já existia, mas que não tinha um projeto direcionado. Havia apenas questões esporádicas, trabalhadas apenas por alguns professores. Então essa ideia de trazer o Selo para as escolas estaduais e centros de excelência trouxe mudanças evidentes no comportamento dos alunos, uns com os outros, com os professores e outros servidores”, compartilha o professor do Centro de Excelência Poeta José Sampaio, em Nossa Senhora do Socorro, Alan da Silva Conceição.
Durante o encontro, dez projetos foram apresentados como experiências exitosas realizadas nas escolas estaduais de Sergipe. Professora do Centro de Excelência Abdias Bezerra, no município de Ribeirópolis, agreste central sergipano, Adeilza Góis Santos ressalta que o selo é uma vitória para a unidade escolar. “Sempre trabalhamos o protagonismo, principalmente das minorias. E as classes sociais, especialmente dos negros, ficam muito à margem da sociedade, e sofrem um preconceito muito grande, que a gente precisa desmistificar e colocar em evidência, e trabalhar nas escolas”, conta.















