
O Hospital Dr. Ib Gatto Falcão tem registrado um aumento significativo na demanda por atendimentos pediátricos, especialmente durante o período de férias escolares. Nesse intervalo, o número de atendimentos infantis cresce cerca de 60% em comparação aos demais meses do ano, reflexo do maior tempo que as crianças passam em casa, em áreas de lazer e em ambientes que exigem atenção redobrada dos responsáveis.
Entre as principais causas de entrada de crianças na unidade de urgência e emergência estão quedas, crises respiratórias e casos de intoxicação, ocorrências que, na maioria das vezes, estão relacionadas a acidentes domésticos e situações evitáveis. De acordo com a equipe médica, a mudança na rotina das famílias durante as férias contribui diretamente para esse aumento. As crianças ficam mais expostas a escadas, móveis, piscinas, rios e praias, além de terem acesso facilitado a medicamentos, produtos de limpeza e outras substâncias potencialmente perigosas.
O diretor-médico do hospital, Pedro Andrade, explica que grande parte desses atendimentos poderia ser evitada com medidas simples de prevenção. “Observamos diariamente crianças que chegam ao pronto atendimento após quedas de camas, escadas ou móveis, além de situações de ingestão acidental de medicamentos e produtos de limpeza. Já as crises respiratórias podem ser extremamente graves e evoluir rapidamente para complicações mais sérias, se não forem tratadas a tempo”, alerta.
O médico também chama atenção para os riscos relacionados ao contato com a água. “Qualquer episódio de engasgo, tosse persistente após o banho, piscina ou mar, ou mudança no comportamento da criança deve ser avaliado imediatamente. O afogamento nem sempre se manifesta de forma imediata. Mesmo após sair da água, a criança pode desenvolver dificuldades respiratórias horas depois”, ressalta.
A médica generalista da unidade, Amanda Godinho, salienta que o perfil dos atendimentos pediátricos representa um desafio importante para a saúde pública. “Grande parte das ocorrências que chegam à nossa emergência envolve acidentes que poderiam ser evitados com supervisão adequada, ambientes mais seguros e informação às famílias. Por isso, além de atender, nossa missão também é orientar a população”, destaca.
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Entre as principais recomendações do hospital estão: manter produtos de limpeza, medicamentos e substâncias tóxicas fora do alcance das crianças; instalar grades de proteção em janelas e escadas; nunca deixar crianças sozinhas em piscinas, banheiras ou próximas a reservatórios de água; e utilizar boias e coletes salva-vidas durante atividades aquáticas.
Os profissionais do hospital ressaltam ainda que, em casos de intoxicação, não se deve provocar vômito nem oferecer líquidos ou alimentos sem orientação médica. A recomendação é procurar imediatamente uma unidade de saúde ou acionar o serviço de emergência.