
O Sigma, um dos melhores “camps” científicos dos Estados Unidos, chegou à 3ª edição em São Paulo, e também estreou em Alagoas. Nos dias 21 e 22 de janeiro, aproximadamente 750 estudantes de todas as redes de ensino, da capital e do interior, ganharam a oportunidade de experimentar a ciência sob uma nova perspectiva.
O Centro de Inovação do Jaraguá foi o local escolhido, especialmente devido ao apoio do Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal).
Desde professores estrangeiros usando, ao vivo, equipamentos de tradução simultânea, a professores da Ufal, com a linguagem adequada à faixa etária de 12 a 16 anos, a programação aliou atividades com recursos simples e cientistas totalmente preparados para desvendar a realidade das ciências nos mais diversos aspectos do dia-a-dia.
As manhãs foram dedicadas a aulas e palestras, e as tardes, a atividades práticas e experimentos, bem como o intervalo, para “almoçar com um cientista”. Um exemplo disso foi a palestra “Paleta de cores da natureza: A linguagem dos pigmentos escondidos”, por Marília Goulart, docente da Ufal, uma das cientistas de Alagoas mais citadas internacionalmente.
O professor Ítalo de Oliveira, coordenador da pós-graduação em Física da Ufal descreveu sua motivação para dar uma aula voluntariamente aos adolescentes no SigmaFestival: “É ver futuro. Ver futuro na ciência e tecnologia do país; ver que existem ainda formas de cativar jovens e fazê-los se interessar por temas que são importantes, pois às vezes a sala de aula não consegue fazer essa contextualização, do que a sociedade avança e pode construir. E acho que é o papel da gente. Quando vamos ficando mais experientes dentro da universidade, vamos dando mais valor a essas coisas mais simples. Essa é a parte legal”, explicou o professor.
“Eu diria que essas experiências são muito impactantes, animam os sonhos da garotada. E eu acho que nossos estudantes de Alagoas aproveitaram, e que a gente vai colher frutos num futuro bem próximo”, avaliou o professor João Vicente Lima, diretor-executivo de CT&I da Fapeal.
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E quanto aos visitantes estrangeiros? “Eles não cansam de dizer que os alunos brasileiros tem um brilho, uma vontade aprender, e são muito gentis e interessados”, comentou o professor Krerley Oliveira, do Instituto de Matemática da Ufal, diretor acadêmico do SigmaCamp no Brasil e coordenador da Olimpíada Alagoana Secti/Fapeal de Ciências.
A bióloga molecular Elena Yakubovskaya, da Stony Brook University, no estado de Nova Iorque, organizadora do SigmaCamp nos EUA, fez uma avaliação positiva do evento piloto em Alagoas: “Houve um trabalho em equipe muito bom entre as equipes do Brasil e dos EUA. Todos os estudantes que vieram estavam muito engajados, profundamente. Mostramos muitas coisas que eles nunca tinham visto, e acho que as palestras e aulas foram muito bem dadas pelos cientistas do Brasil e dos EUA. É o tipo de evento que o Nordeste do Brasil realmente precisa. Estou muito feliz”, declarou a cientista russa radicada nos EUA.
O dia terminou com sorvete de baunilha feito ao vivo, congelado na hora, com nitrogênio líquido.
Ensino Médio
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Aproximadamente 260, ou seja, 1/3 dos estudantes no Sigma Festival, foram bolsistas ou voluntários do Programa de Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr), do Governo de Alagoas, para o Ensino Médio da rede pública estadual e Ifal.
A professora Clédyna Farias é a coordenadora do Pibic na Escola Estadual Rosa de Castro Fonseca, em Tanque D’arca, beneficiada pelo Governo de Alagoas com dois projetos: “Os caminhos da Química”, que ela orienta, e “Geomarketing”, com o professor Wanderlan Araújo. “O Pibic Jr é uma oportunidade de grande porte. Com essa porta que a Fapeal abriu, hoje, nós percebemos os alunos com um novo horizonte, principalmente aqueles cujo potencial estava se perdendo; nós resgatamos. A visão deles hoje é outra, nas notas, no desempenho, na desenvoltura”, comentou a docente. Ela acrescenta, ainda, que a pontuação dos alunos no Enem aumentou.
Para Duan Adonias, 16 anos, um dos bolsistas, o Sigma foi um evento que chamou atenção pela variedade de coisas para fazer. “Foi uma oportunidade incrível para aprender mais. É ótimo participar de tudo isso. O Pibic deixou minha vida melhor, tanto meu estilo de vida, como eu acordar melhor, me expressar de uma forma melhor”, declarou o estudante.
“Nós estamos construindo um momento no nosso estado. É um momento também de crescimento pessoal e profissional deles, de autonomia, de confiança, e a participação no festival reforça o papel do Pibic na formação científica dos estudantes. Então, a gente parabeniza os estudantes e coordenadores que se empenharam e se dedicaram”, comemorou a pedagoga e gerente de projetos”, disse Janaína Silva, colabora da Fapeal responsável pelo Pibic Jr.
Os interessados no próximo SigmaFestival ou no camp de cinco dias em São Paulo, planejados para janeiro de 2027, podem receber informações inscrevendo-se no formulário disponível em etapasigmacamp.com.br . Todas as atividades no Brasil são gratuitas e bilíngues, via rigorosa seleção baseada na performance nas aulas e testes online e na motivação pessoal para a ciência.