Terça, 27 de Janeiro de 2026
24°C 28°C
Maceió, AL
Publicidade

Pesquisa premiada pelo Estado analisa impacto dos alimentos ultraprocessados no comportamento alimentar

Estudo aponta que esse tipo de refeição é consumida mais rapidamente e reduz menos a saciedade

Colaboração para o Jornal Online Alagoas
Por: Colaboração para o Jornal Online Alagoas Fonte: Secom Alagoas
26/01/2026 às 23h15
Pesquisa premiada pelo Estado analisa impacto dos alimentos ultraprocessados no comportamento alimentar
Foco da pesquisa é o consumo de alimentos ultraprocessados - Acervo pesquisadora
Tárcila Cabral/Ascom Fapeal

A produção científica desenvolvida em Alagoas tem ampliado sua contribuição para o debate nacional e internacional sobre saúde pública e alimentação. Um exemplo disso é a pesquisa conduzida pela pesquisadora Bárbara Galdino, que investigou os efeitos do consumo de alimentos ultraprocessados sobre o comportamento alimentar humano. O estudo foi contemplado recentemente, pelo Governo de Alagoas, com o Prêmio de Excelência Acadêmica.

Continua após a publicidade
Anúncio

A pesquisa científica “A Meal with Ultra-Processed Foods Leads to a Faster Rate of Intake and to a Lesser Decrease in the Capacity to Eat When Compared to a Similar, Matched Meal Without Ultra-Processed Foods” analisou como o grau de processamento dos alimentos influencia a velocidade de ingestão e a sensação de saciedade após as refeições.


Os resultados indicaram que refeições compostas por alimentos ultraprocessados são consumidas mais rapidamente e promovem menor redução da capacidade de comer novamente, quando comparadas a refeições similares elaboradas com alimentos in natura ou minimamente processados.



Segundo a nutricionista, os achados chamam atenção por terem sido observados mesmo quando as refeições foram cuidadosamente pareadas quanto à densidade energética, fibras e macronutrientes.

“Isso sugere que o efeito não está apenas na composição nutricional, mas no grau de processamento dos alimentos, que alteram a forma como comemos e como nosso organismo responde à refeição”, explicou Bárbara Galdino.


Evidências sobre o ritmo alimentar e a saciedade

A pesquisa demonstrou que refeições com ultraprocessados exigem menor número de mastigações e mordidas, reduzindo o tempo necessário para que os sinais fisiológicos de saciedade sejam ativados. Como consequência, o consumo tende a ser maior antes que o organismo reconheça a sensação de plenitude.


Para a cientista, esse padrão ajuda a compreender por que esses alimentos favorecem o consumo excessivo no cotidiano: “Quando a ingestão acontece de forma muito rápida, o corpo não tem tempo suficiente para responder adequadamente. Isso mantém o indivíduo mais propenso a continuar comendo, mesmo após a refeição”, destacou ela.

O estudo também dialogou com aspectos comportamentais do ambiente alimentar contemporâneo, marcado por refeições rápidas, consumo distraído e alta disponibilidade de produtos de formulações industriais. Características como textura macia, elevada palatabilidade e facilidade de consumo favorecem o que a literatura científica descreve como ‘hiperfagia passiva’- um fator associado ao aumento do risco de obesidade e outras doenças crônicas.

Ciência, formação acadêmica e articulação institucional

Desenvolvida a partir de uma trajetória acadêmica que envolve diferentes instituições e grupos de pesquisa, a investigação contou com a atuação de Bárbara Galdino como pesquisadora vinculada ao Laboratório de Nutrição e Metabolismo (Lanum), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), e ao Laboratório de Imunobiologia da Inflamação (Labiin), da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).


De acordo com a nutricionista, essa articulação foi fundamental para assegurar rigor metodológico e robustez científica ao trabalho. “A integração entre universidades e laboratórios permite somar expertises, infraestrutura e diferentes abordagens investigativas, fortalecendo todas as etapas do estudo”, avaliou ela.

Atualmente doutoranda em Saúde e Nutrição pelo Programa de Pós-Graduação da Ufop, a estudiosa afirma que essa formação multidisciplinar contribuiu para que os resultados dialogassem, tanto com a pesquisa acadêmica quanto com a prática clínica e a formulação de estratégias de promoção da saúde.

Os achados do estudo oferecem subsídios importantes para políticas públicas, diretrizes alimentares e ações de educação nutricional. Segundo a pesquisadora, evidências científicas como essas reforçam a necessidade de ações regulatórias voltadas à redução do consumo de alimentos ultraprocessados e à valorização de práticas alimentares mais conscientes.

“Aspectos como o ritmo das refeições, a mastigação adequada e a atenção plena durante a alimentação precisam ser considerados como parte das estratégias de enfrentamento da obesidade”, afirmou Bárbara Galdino.

O papel da Fapeal no fortalecimento da pesquisa em saúde

A nutricionista citou que o apoio da Fapeal através do Prêmio de Excelência Acadêmica, vai além do reconhecimento dos estudiosos. Instituído para valorizar a publicação discente em periódicos de alto impacto, a chamada integra uma política da Fundação voltada ao fortalecimento da pós-graduação stricto sensu em Alagoas, estimulando a produção científica qualificada e a consolidação dos programas de pesquisa.

 

“O financiamento à ciência é essencial para a produção de conhecimento seguro e de qualidade. O suporte da Fapeal fortalece a formação do pesquisador, amplia a visibilidade da ciência produzida em Alagoas e contribui diretamente para o avanço da pesquisa em nutrição e saúde no estado”, ressaltou ela.

Ao refletir sobre os passos seguintes de sua trajetória, a pesquisadora destacou que ainda há lacunas importantes a serem exploradas, especialmente em estudos de longo prazo que avaliem o consumo crônico de alimentos de formulações industriais em diferentes contextos populacionais. Para ela, ampliar esse olhar é fundamental para compreender, de forma mais completa, como as escolhas alimentares afetam a saúde ao longo da vida.

“A ciência precisa continuar investigando não apenas o que comemos, mas como comemos. É nesse detalhe, muitas vezes invisível, que estão pistas importantes para melhorar a qualidade de vida da população”, concluiu Bárbara Galdino, ao reforçar a importância de iniciativas que, como as da Fapeal, seguem investindo na ciência como ferramenta de transformação social.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Maceió, AL
24°
Parcialmente nublado
Mín. 24° Máx. 28°
25° Sensação
1.54 km/h Vento
94% Umidade
55% (0.55mm) Chance chuva
05h18 Nascer do sol
17h52 Pôr do sol
Quarta
28° 25°
Quinta
28° 25°
Sexta
28° 25°
Sábado
28° 25°
Domingo
28° 26°
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,28 -0,10%
Euro
R$ 6,27 -0,07%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 495,592,26 +0,95%
Ibovespa
178,720,69 pts -0.08%
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade