
A iniciação científica desenvolvida ainda na educação básica tem produzido resultados concretos em Alagoas. Um relato recente é a trajetória da estudante Clarice Caetano, bolsista do Programa de Iniciação Científica Júnior do Governo de Alagoas, que foi selecionada para o programa ‘Futuras Cientistas’, iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene).
A estudante integra o projeto ‘Neurobiologia, ritmos biológicos, sono e aprendizagem: impactos no rendimento escolar’, desenvolvido na Escola Estadual Alfredo Gaspar de Mendonça e coordenado pela professora Mayara Rodrigues.
A partir de sua vivência no Pibic Jr, a aluna passou a ter um contato próximo com o estudo científico e, mais recentemente, iniciou o estágio acadêmico, relativo ao ‘Futuras Cientistas’, na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), sob a orientação da professora Fabiane Caxico, no Instituto de Química e Biotecnologia (IQB).
Da iniciação científica ao Futuras Cientistas
A seleção da estudante para o programa do CNPq/Cetene está diretamente relacionada à experiência adquirida na iniciação científica, contexto no qual ela teve o primeiro contato com a pesquisa ainda na escola pública. Para Caetano, a participação no programa representou um divisor de águas em sua formação. “Foi através dele que meus olhos se abriram para novos aprendizados, outras possibilidades e, principalmente, para a ciência como um espaço vivo, curioso e cheio de descobertas”, relatou ela.
A jovem também destacou o papel do coletivo construído no projeto e da presença feminina na coordenação e orientação científica. “Sou imensamente grata aos meus colegas e às minhas coordenadoras, Laís Melo, Mayara Rodrigues e Daniela Raposo, que fizeram desse estudo um ambiente acolhedor, inspirador e transformador, para além de um projeto, uma família”, afirmou a aluna.
Ela destacou que atuar num grupo comandado por mulheres foi essencial para que ela enxergasse além do que acreditava ser capaz. E foi justamente a experiência adquirida no Pibic Jr que deu impulso para que a estudante se inscrevesse no programa ‘Futuras Cientistas’, iniciativa nacional voltada à formação de meninas na ciência:
“Graças a essa vivência, criei coragem para me inscrever no programa, algo que eu jamais imaginei conseguir. Minha equipe acreditou em mim mais do que eu mesma, e essa confiança fez toda a diferença”, relatou a aluna. “Hoje me sinto profundamente grata e feliz por trabalhar ao lado de meninas incríveis, em uma área que eu nunca pensei que fosse amar tanto”, afirmou Clarice Caetano.
 (1).png)
Ciência produzida na escola pública
Narrando o contexto de quem inspirou essa jornada, está a bióloga, professora da rede estadual e doutora em Ciências da Saúde, Mayara Rodrigues. A docente ressalta o projeto executado no Pibic Jr e destaca a escola pública como espaço legítimo de produção científica.
“Atualmente, desenvolvemos pesquisas científicas no âmbito da educação básica, consolidando que a escola pública também é espaço de produção de ciência, inovação e formação de jovens pesquisadores”, afirmou.
Ao longo de sua trajetória acadêmica, a professora foi bolsista do CNPq, da Capes e da própria Fapeal, experiência que, segundo a pesquisadora, foi fundamental para sua formação científica. Agora, enquanto orientadora de iniciação científica júnior, Mayara Rodrigues aborda o compromisso de devolver à sociedade o investimento feito por meio da educação pública e do financiamento à pesquisa.
“Como professora da rede pública e orientadora do Pibic Jr, poder devolver ao Estado, em especial a Alagoas, minha terra, o investimento recebido por meio da educação pública e do financiamento em pesquisa é motivo de profunda responsabilidade e realização”, destacou a bióloga.
No projeto desenvolvido na escola estadual, os estudantes investigaram a relação entre ritmos biológicos, sono, aprendizagem e rendimento escolar, articulando conceitos da neurociência ao cotidiano dos alunos.
.png)
Em sua atuação, a docente acompanhou de perto o impacto dessas trajetórias e destaca que Clarice não é um caso isolado. No ano anterior, outra estudante orientada no âmbito do Pibic Jr também foi aprovada no programa Futuras Cientistas , atestando a qualidade do trabalho desenvolvido.
“Ver Clarice avançar da iniciação científica júnior para a aprovação no programa Futuras Cientistas e, hoje, vivenciar um estágio na universidade confirma a potência da ciência quando ela é feita com acolhimento, rigor e compromisso social”, afirmou a pesquisadora.
Para a professora, investir em jovens talentos desde cedo, especialmente meninas, é uma estratégia essencial para reduzir desigualdades históricas no acesso à aprendizagem. A estudiosa também relaciona essas conquistas à sua própria trajetória. “Sou mulher, cientista, professora da educação pública, de origem na agricultura familiar, nascida no sertão. Sei, por vivência própria, o quanto os caminhos da ciência nem sempre parecem possíveis para meninas como nós. Quando uma menina se reconhece como cientista, toda a sociedade avança”, concluiu ela.
Saiba mais
O Pibic Jr. integra o pacote de editais do programa “Mais Ciência Mais Futuro” do Governo de Alagoas, executado por meio de ações conjuntas da Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti) e da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapeal).