
O resultado do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026 foi divulgado na última quinta-feira, 29. Junto com ele, chegam as perspectivas de um futuro mais promissor para muitos estudantes com deficiência da rede pública estadual de ensino. Ainda não há um número exato de quantos alunos com deficiência foram aprovados em Sergipe, mas a Secretaria de Estado da Educação (Seed) destaca o nome de alguns já conhecidos.
Do Centro de Excelência Leandro Maciel, em Aracaju, o aluno Sérgio Cauã foi aprovado em 1º lugar em Relações Internacionais. Estudante do ensino médio do Centro de Excelência Leandro Maciel, os passos compassados não limitaram a inteligência e o aluno aplicado sempre pensou em seguir adiante, ultrapassar, abrir portas e vencer. “Dia 29 de janeiro é um dia depois do meu aniversário e recebi a notícia que fui aprovado em primeiro lugar. A minha deficiência nunca foi um limite. A minha deficiência é um convite para viver feliz. Estou aqui para superar a vida, desafios”, avisou o futuro universitário.
De uma rotina intensa de estudos, esportes e fisioterapia, Sergio Cauã pensa em uma carreira internacional. A mãe dele, Leninha Figueiroa, ressalta o filho como um exemplo de superação. “Sempre acreditei no meu filho Sérgio como um guerreiro. Desde que nasceu, foram muitos os desafios. Ele não andava, não falava, mas sempre acreditávamos. Ele sempre teve o desejo de fazer faculdade, concursos. O ensino médio foi sempre no Leandro Maciel, sempre acolhido, e a deficiência física nada impediu de sonhar, querer viver. O sonho dele é ser juiz federal ou ser diplomata”, destacou Leninha Figueiroa, ao afirmar saber dos obstáculos do filho.
Como Sérgio Cauã, a superação é a marca que transforma. Além da rotina exaustiva de qualquer candidato ao ensino superior, os alunos com deficiência ainda têm que despender horas a mais nas rotinas de saúde. Com a chegada do resultado do Sisu, a felicidade contagia e acende a perspectiva de um futuro mais promissor.
Para o aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA) Pedro Augusto Melo Almeida, do Centro de Excelência Nelson Mandela, na capital e estudante do Pré-Universitário, o sonho vai se transformando em realidade ao ser aprovado em Ciências Econômicas na Universidade Federal de Sergipe (UFS). “Eu, como um aluno dedicado, senti algo incrível. Fiquei esperando até de madrugada para consultar o resultado. Gostei demais, meu coração está muito cheio de realidade e orgulho”, afirmou, ao comemorar a aprovação.
Do Centro de Excelência Emeliano Ribeiro, em São Domingos, no agreste sergipano, o aluno Murilo dos Santos foi aprovado no Sistema da Computação e Análise. Já o aluno da mesma unidade escolar, Larisson Santana Moraes, cursará Desenvolvimento de Sistemas, no Instituto Federal da Bahia (IFBA). Do polo do Pré-Universitário Neuzice Barreto, em Nossa Senhora do Socorro, o aluno Rafael Alves Santos Araújo foi aprovado em História.
O aluno Enzo Magno Brasil, do Centro de Excelência Atheneu Sergipense, em Aracaju, cursará Engenharia Florestal na UFS. “Eu não tinha costume de estudar em casa, mas prestava muita atenção nas aulas, mesmo que fosse cansativo. Para ser honesto, foi difícil. É difícil para qualquer um, mas se você se esforçar, talvez mais do que eu, você poderá ter uma posição, ou até ter uma posição tão boa quanto a minha", afirmou o futuro engenheiro florestal, Enzo Magno Brasil.
Inclusão e equidade
As 319 escolas da rede pública estadual de ensino são dotadas de acessibilidade. Os 50 polos do Pré-Universitário, por consequência, também disponibilizam acesso a alunos com deficiência. No ensino regular, a rede pública estadual de ensino possui 138 salas de recursos, ou seja, espaços totalmente dotados de equipamentos e materiais pedagógicos que auxiliam a oferta de uma educação mais inclusiva e equânime.
Além das unidades escolares, no organograma da Educação Estadual, o Centro de Referência em Educação Especial (Creese) objetiva avaliar os alunos matriculados na Rede Estadual de Ensino que apresentam barreiras no processo de aprendizagem, e orientar os municípios sergipanos com vistas ao processo de implantação de suas equipes multidisciplinares.
Além das questões estruturais, a política de educação inclusiva foca no planejamento do atendimento individualizado no ensino regular. De acordo com a chefe do Serviço de Educação Inclusiva da Seed (Seinc), Lilian Alves Moreira, é uma trajetória de sucesso que se inicia com a entrada na rede pública estadual de ensino até o acesso ao ensino superior. “Continuaremos trabalhando para que mais estudantes com deficientes acessem todos os espaços e oportunidades”, afirmou.



