
A 1ª Teia Estadual de Pontos de Cultura pela Justiça Climática encerrou, neste sábado, 31, a programação no Complexo Cultural Gonzagão, em Aracaju, consolidando o evento como espaço de diálogo, troca de experiências e construção coletiva no âmbito da Política Nacional de Cultura Viva. A iniciativa integra o II Fórum Estadual dos Pontos de Cultura e foi realizada pelo Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap) e da Secretaria Especial da Cultura (Secult), em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e a Rede Sergipe de Pontos de Cultura.
Abrindo a programação do dia, a Cia Loucurarte apresentou seu trabalho de inclusão e acessibilidade por meio da dança em cadeiras de rodas, reforçando o papel da cultura como instrumento de participação social. Para o diretor da Companhia de Dança Loucurarte, Osmário Campos, a presença no encontro amplia a visibilidade de iniciativas que atuam com acessibilidade. “É um prazer imenso mostrar o nosso trabalho de inclusão e de acessibilidade na primeira teia estadual aqui em Aracaju. A gente precisa desse espaço para mostrar nosso talento, nossa acessibilidade, nossa inclusão e a força que nossos atletas com deficiência têm”, afirmou.
Na sequência, o tema geral desta edição, “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”, foi apresentado por Givanildo Santana, do Povoado São Braz, comunidade ribeirinha localizada em Nossa Senhora do Socorro, destacando a relação entre território, meio de vida e preservação ambiental. “A gente falar sobre justiça climática é bastante importante, porque o nosso ponto vem de comunidade tradicional, comunidade tradicional do pescador. E não vivemos sem o ambiente, que é o nosso meio de vida. A gente falou de várias questões sobre a água, sobre como podemos interagir com as comunidades tradicionais, com os nossos pontos de cultura e pontões, e como é que a gente pode contribuir”, contou Givanildo.
Já a programação da tarde foi aberta pelo grupo Reisado do Sertão Gregoriano, vinculado ao Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Luz do Sol. Formado por usuários do Caps e seus familiares, o grupo adapta o reisado tradicional ao contexto terapêutico, promovendo sentimento de pertencimento, autoestima e conexão com as raízes culturais.
O segundo dia também foi dedicado à construção de propostas coletivas por meio de debates organizados em três eixos temáticos: Plano Nacional Cultura Viva para os próximos 10 anos; governança da Política Nacional de Cultura Viva; e Cultura Viva, trabalho e sustentabilidade da criação artística. Ao final, as propostas elaboradas pelos grupos foram apresentadas ao plenário e submetidas à votação, com leitura e aprovação das diretrizes que seguem como encaminhamentos do Fórum.
Eleição dos delegados
Como parte da programação, foi realizada a eleição dos delegados que representarão Sergipe nas próximas instâncias da Cultura Viva, incluindo a 6ª Teia Nacional, prevista para acontecer em Aracruz, no Espírito Santo, entre 24 e 29 de março de 2026.
Conforme os encaminhamentos do Fórum, foram eleitos 30 representantes de Sergipe, com composição orientada por critérios de diversidade, cotas e paridade. Do total de vagas, 10 serão de indicação da Comissão Organizadora da Teia Sergipe 2026, e 20 serão eleitas pela plenária do II Fórum Estadual de Pontos de Cultura, garantindo percentuais para pessoas negras, povos indígenas originários, pessoas com deficiência, jovens, pessoas idosas, além de paridade mínima de mulheres e reserva para pessoas LGBTQIA+.
Para a coordenadora de Planejamento e Sistema da Cultura Viva, Carol Freitas, o processo de participação social é um dos fundamentos da política, com impacto direto na renovação das instâncias de representação e na gestão do Cadastro Nacional. “É super importante esse momento da participação social, que é a Política Nacional Cultura Viva. Ela já foi criada com essa intenção de ter a participação da sociedade civil nos processos de decisão”, afirmou.
Carol Freitas também destacou que o processo envolve a renovação da Comissão Nacional e sua atuação em frentes estratégicas, como certificação e gestão compartilhada. “A partir dessa comissão nacional que será eleita, eles também vão indicar pessoas para participar das comissões de certificação simplificada e da comissão de gestão compartilhada do cadastro nacional, que estabelece critérios para a política”, completou.
Novo Mapa Cultural
Destaque da programação foi o lançamento do novo Mapa Cultural de Sergipe, ferramenta que amplia o acesso às informações sobre agentes, iniciativas e manifestações culturais nos territórios.
Segundo o coordenador da Funcap da Política Nacional de Fomento Cultural Aldir Blanc (Pnab), Rodrigo Garcia, a apresentação da plataforma durante a Teia reforça a construção coletiva da política cultural. “A gente está muito feliz de ter lançado o novo Mapa Cultural de Sergipe em nome da Funcap e da Secult. A recepção foi muito positiva, e essa etapa vai ser um processo coletivo, de aperfeiçoamento, que vai oferecer mais transparência nos processos de inscrição nos editais e de criação dos portfólios digitais”, afirmou.






