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Três anos após temporal, prevenção e tecnologia viram legado em São Sebastião

Implantação do Cell Broadcast, ampliação do monitoramento meteorológico e fortalecimento das defesas civis municipais marcam a resposta estrutural ...

Colaboração para o Jornal Online Alagoas
Por: Colaboração para o Jornal Online Alagoas Fonte: Secom SP
19/02/2026 às 09h40
Três anos após temporal, prevenção e tecnologia viram legado em São Sebastião
Sirene da Defesa CIvil na Vila Sahy, em São Sebastião

Sirenes, alertas no celular, treinamento da população e tecnologia avançada para prever grandes eventos meteorológicos se tornaram ferramentas importantes na prevenção de desastres adotadas pelo Governo de São Paulo após a chuva que matou 65 pessoas em São Sebastião, no Litoral Norte. Três anos depois, a tragédia deixou lições que norteou novos procedimentos para salvar vidas.

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Em 19 de fevereiro de 2023, as equipes da Defesa Civil do Estado de São Paulo foram mobilizadas nos primeiros momentos do temporal. Porém, a perda de comunicação pela falta de sinal telefônico e os bloqueios na única rodovia que corta o município dificultaram o acesso às áreas atingidas.

“Nós não tínhamos a perspectiva da dimensão do tamanho do desastre. Perdemos comunicação e isso dificultou muito a tomada de decisão inicial”, relembra o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Rinaldo de Araújo Monteiro, que participou das operações à época.

O município, com cerca de 120 quilômetros de extensão e relevo acidentado, foi impactado principalmente por deslizamentos de terra — fenômeno de alto potencial letal. Em alguns trechos, havia até três metros de altura de lama, impedindo a passagem de equipes de resgate e de ajuda humanitária.

Virada tecnológica nos alertas

Depois do desastre, a Defesa Civil acelerou uma transformação no sistema de monitoramento e comunicação de risco. Em dezembro de 2024, o Estado de São Paulo passou a contar com o sistema Cell Broadcast, tecnologia que envia alertas diretamente aos celulares localizados em áreas de risco, sem necessidade de cadastro prévio.

Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, foram emitidos 216 alertas pelo sistema no estado. Diferentemente do antigo modelo por SMS, que exigia cadastro por CEP, o Cell Broadcast utiliza um sinal sonoro específico e georreferenciamento.

“O alerta extremo toca até a pessoa dar um ‘ok’. Enquanto ela não interagir, ele continua emitindo o sinal. Mas não basta a tecnologia: a população precisa saber o que fazer quando recebe esse aviso e para onde deve se deslocar”, afirma o coronel.

Sala de monitoramento em tempo real da Defesa Civil estadual Foto: Divulgação/Governo de SP
Sala de monitoramento em tempo real da Defesa Civil estadual Foto: Divulgação/Governo de SP

Por isso, a população de áreas de risco de regiões como a Vila do Sahy, em São Sebastião, receberam treinamentos comunitários da Defesa Civil, com definição de rotas de fuga para casos de emergência e de pontos seguros.

A modernização também incluiu reforço na rede de monitoramento meteorológico. O radar instalado em Ilhabela passou a complementar a leitura atmosférica no Litoral Norte, ampliando a capacidade de identificação de sistemas de chuva de baixa altitude — condição que esteve presente no evento de 2023 e que não foi capturada pelos radares existentes até então.

O Estado de São Paulo conta atualmente com sete radares meteorológicos, sendo dois inaugurados desde 2023.

Sirenes e cultura de prevenção

Além da tecnologia digital, o Estado implantou uma sirene de alerta na Vila do Sahy, área classificada como de risco muito alto para deslizamentos no Litoral Norte. O acionamento soma-se aos treinamentos da Defesa Civil junto à população.

Para o coordenador da Defesa Civil, o maior legado vai além dos equipamentos. “Não conseguimos eliminar o risco. Nós vivemos em um país tropical, precisamos conviver com a chuva e com os fenômenos naturais. O que fazemos é mudar a cultura da percepção do risco, para que a pessoa receba o alerta, compreenda a gravidade e se coloque em segurança”, afirma.

A Defesa Civil também ampliou a estrutura municipal. Hoje, os 645 municípios paulistas contam com coordenadorias de Defesa Civil estruturadas e viaturas equipadas. O fortalecimento local é tratado como eixo central do sistema estadual.

“Para termos um sistema estadual forte, precisamos ter sistemas municipais fortes. O município, por menor que seja, tem que ter uma estrutura mínima para saber o que fazer no período de chuva, para que ele tenha condições de dar uma resposta ou saber quem ele vai acionar para apoiá-lo”, resume Monteiro.

Obras e reforço estrutural

Além do resgate, a Defesa Civil também realiza obras de prevenção e recuperação em municípios paulistas. No Litoral Norte, o conjunto de medidas incluiu obras de contenção e intervenções em infraestrutura. O governo estadual investiu R$ 7 milhões destinados a serviços emergenciais nos municípios afetados pelas chuvas, além de R$ 20 milhões em convênios para recuperação de infraestrutura em São Sebastião e Ubatuba.

Também foram entregues viaturas e kits operacionais, ampliando a capacidade de resposta a eventos climáticos extremos.

Legado de São Sebastião

Para a Defesa Civil, o principal aprendizado foi a necessidade de estar permanentemente preparada para cenários críticos em um contexto de eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos.

“Tempo, em ações de Defesa Civil, custa vida. Desde São Sebastião, temos percebido um crescimento vertiginoso no sistema estadual de Defesa Civil. Estou há 20 anos no sistema e tinham coisas que pensávamos que fosse um sonho e que não fosse ser atingido. Por exemplo, os 645 municípios, com Defesa Civil e viaturas”, conclui o coronel.

Mais investimentos

Além das ações de prevenção e resposta a desastres, o Governo de São Paulo ampliou os investimentos em reconstrução e melhoria da infraestrutura urbana em São Sebastião após a tragédia de 2023. Na área de habitação, foram entregues 704 moradias definitivas, com investimento de R$ 260,4 milhões. Outras 256 unidades habitacionais seguem em obras no município, além de ações de regularização fundiária e melhorias habitacionais em andamento.

No saneamento, a Sabesp empenhou R$ 29 milhões para ampliar o abastecimento de água e o tratamento de esgoto em bairros atingidos, incluindo a entrega de sistemas e unidades voltadas às novas moradias.

Na educação, o Estado investiu R$ 56,7 milhões na reconstrução da Escola Estadual Plínio Gonçalves e na construção da Escola Municipal Nair Ribeiro e da creche Juquehy 2, ampliando em cerca de 1 mil vagas a oferta na rede pública de São Sebastião como parte das ações de recuperação social e urbana após o desastre.

No campo do desenvolvimento econômico, o Governo de São Paulo disponibilizou linhas emergenciais de crédito para apoiar a retomada da atividade produtiva após a tragédia. Pelo Banco do Povo, foram destinados R$ 30 milhões, com liberação de R$ 1,8 milhão em 91 operações aprovadas no Litoral Norte. Já por meio da Desenvolve SP, foi estruturada uma linha de crédito de cerca de R$ 500 milhões, com aproximadamente R$ 5 milhões liberados para municípios e empresários da região, incluindo São Sebastião.

No setor agropecuário, foram criadas linhas específicas para atender a comunidade pesqueira, com R$ 12 milhões liberados a 117 profissionais, além de R$ 3 milhões destinados a 61 produtores pelo FEAP Litoral.

A resposta estadual também contemplou ações nas áreas de saúde e estrutura operacional. Os municípios do Litoral Norte receberam R$ 8,6 milhões para reforço das equipes de saúde no atendimento de urgência e emergência, além da aquisição de medicamentos e insumos. Em apoio às operações de resposta e prevenção, o Estado investiu ainda R$ 1,4 milhão na entrega de viaturas e equipamentos da Defesa Civil, incluindo kits operacionais, caminhões-pipa e outros recursos, fortalecendo a capacidade de atuação frente a eventos climáticos extremos na região.

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