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Com apoio da Fapeal, programa consolida cultura olímpica e amplia horizontes de estudantes da rede estadual

Edital movimentou a participação de alunos nas disputas nacionais, conquistando medalhas e consolidando a cultura de excelência acadêmica no ensino...

Colaboração para o Jornal Online Alagoas
Por: Colaboração para o Jornal Online Alagoas Fonte: Secom Alagoas
23/02/2026 às 16h44
Com apoio da Fapeal, programa consolida cultura olímpica e amplia horizontes de estudantes da rede estadual
Estudantes da rede estadual vêm ampliando sua participação em olimpíadas do conhecimento - Acervo pessoal
Tárcila Cabral / Ascom Fapeal

O incentivo à pesquisa e à formação científica desde o ensino médio tem gerado resultados exitosos na rede pública estadual. Por meio do Programa de Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr), edital desenvolvido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas, estudantes vêm ampliando sua participação em olimpíadas do conhecimento e alcançando desempenho de destaque em competições nacionais.

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A experiência é vivenciada no projeto “Clube Olímpico: o conhecimento além dos muros da escola”, orientado pela professora de Matemática Edvania Ribeiro, com coorientação da professora de Língua Portuguesa Bianca Dias e do professor de Sociologia Diego Mendes. A iniciativa integra a Trilha 4 do Pibic Jr, e é voltada ao fomento de trajetórias acadêmicas de excelência no Ensino Médio.


Antes da criação do Clube Olímpico, segundo a orientadora, não havia na escola um trabalho estruturado e contínuo de preparação para as competições. A participação dos estudantes era eventual e sem planejamento específico. “A Trilha 4 do Pibic Jr foi determinante para mudar esse cenário. A partir dela, organizamos o Clube Olímpico com base em planejamento estratégico, metas por área do conhecimento e cronograma anual de eventos”, afirmou a professora.

Com a execução do projeto, a escola ampliou sua participação de duas para 11 olimpíadas, abrangendo áreas como Matemática, Ciências, Física, Educação Financeira, Redação, Robótica, Literatura, Sociologia e Artes. Na prática, foram implementadas ações como mapeamento de talentos, encontros semanais de estudo orientado, simulados periódicos com análise de desempenho, formação de grupos por níveis e o envolvimento da gestão escolar na consolidação de uma cultura olímpica institucional.



Resultados que refletem mudança metodológica

Os resultados vieram acompanhando a mudança de postura pedagógica. Os bolsistas do projeto conquistaram menções honrosas na Olimpíada do Conhecimento Etapa (OCE), na Olimpíada Brasileira de Matemática Financeira (OBMF), na Olimpíada Nacional de Energia (ONE), na Olimpíada de Literatura e na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).

Entre as medalhas, destacam-se o 1º lugar na Olimpíada Nacional de Robótica, na etapa da Região Nordeste, e três medalhas de ouro e duas de prata na Olimpíada do Tesouro Direto (OLITEF).

De acordo com Edvania Ribeiro, os frutos são consequência direta da organização implementada com o apoio do edital da Fapeal. “Priorizamos o desenvolvimento da base matemática, com foco em raciocínio lógico e múltiplas estratégias de resolução. Organizamos trilhas de aprendizagem com níveis crescentes de complexidade e trabalhamos a cultura do erro como ferramenta de aprendizagem”, explicou a mentora.



A integração entre teoria e prática também foi decisiva, especialmente na Robótica, com aplicação de conceitos matemáticos à programação e à modelagem de trajetórias. Cada bolsista teve metas claras e acompanhamento individualizado. “O diferencial foi a constância, o método e a construção de uma mentalidade de alto desempenho acadêmico”, mencionou ela.

Linguagens como instrumento de mobilidade acadêmica

Na área de Linguagens, a professora Bianca Dias estruturou a preparação para as olimpíadas de Literatura e Redação em etapas formativas. A leitura orientada das obras Morte no Nilo, de Agatha Christie, Felicidade Clandestina, de Clarice Lispector, e Memórias do Subsolo, de Fyodor Dostoevsky, foi acompanhada de fichamentos críticos, rodas de discussão e simulados de interpretação com foco em análise inferencial e figuras de linguagem.

Para a Olimpíada de Redação (OBP), a professora realizou oficinas com ênfase em planejamento textual, construção de tese, organização argumentativa e revisão estratégica, além da ampliação de repertório sociocultural e elaboração de propostas de intervenção consistentes.

“O projeto foi desenvolvido como ação formativa e também como estratégia de inclusão acadêmica, considerando que os bolsistas são oriundos de uma comunidade socialmente vulnerável”, explicou a estudiosa. Segundo ela, a preparação olímpica desenvolve competências que ultrapassam o domínio técnico da leitura e da escrita.

No âmbito acadêmico, os estudantes ampliaram repertório literário, expandiram a leitura crítica e aprimoraram a escrita argumentativa. Já na área socioemocional, destacam-se a autoconfiança intelectual, persistência diante de desafios complexos, disciplina e construção de identidade acadêmica.



Ensino Médio como projeto de vida

Através do Pibic Jr também foi alterada a maneira como os estudantes enxergam o próprio percurso escolar. “O Ensino Médio deixa de ser visto apenas como etapa obrigatória e passa a ser compreendido como período estratégico de construção de projeto de vida”, afirmou Bianca Dias.

De acordo com a professora de língua portuguesa, alunos que cogitavam abandonar os estudos passaram a planejar o ingresso na universidade. Outros, que viam na saída do estado a única possibilidade de crescimento, passaram a reconhecer na formação acadêmica um caminho certeiro de ascensão.

Segundo a orientadora do projeto, a escola passou a vivenciar uma atmosfera de desafio intelectual, cooperação e busca por excelência. “Percebo estudantes mais disciplinados, organizados e com crescente interesse por carreiras nas áreas de exatas, tecnologia e engenharia”, afirmou Edvania Ribeiro.

A autoestima acadêmica também foi elevada. Muitos alunos passaram a liderar grupos de estudo e a assumir papel ativo na organização das atividades olímpicas.

Contemplando os resultados, as estudiosas citam que o maior impacto não foi visualizado apenas nas premiações, mas na mudança de mentalidade, alunos da rede estadual compreendendo que podem competir em nível nacional e construir trajetórias antes inimagináveis.

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