
A concessão da Rota Mogiana pelo Governo de São Paulo vai modernizar, operar e ampliar mais de 500 quilômetros de rodovias estratégicas do interior paulista, permitindo escoar a produção agrícola da Alta Mogiana para a divisa com Minas Gerais e região metropolitana de Campinas, e desses destinos a importantes polos produtivos, turísticos e logísticos do estado. O consórcio liderado pelo grupo Azevedo e Travassos foi o ganhador, com a maior oferta de outorga fixa ao Estado, no valor de R$ 1,08 bilhão.
A região da Alta Mogiana se destaca na produção de mercadorias agrícolas relevantes para a pauta de exportação brasileira, como o café e açúcar. O eixo São João da Boa Vista–São José do Rio Pardo–Espírito Santo do Pinhal consolida-se como um “terroir” de exportação de café especial e commodities agrícolas, onde a agregação de valor ocorre via certificação de origem, qualidade sensorial e processamento pós-colheita. De acordo com a Câmara de Comércio Exterior, os principais destinos do café produzido nesta região são mercados exigentes como Alemanha, Itália, Estados Unidos, Japão e Países Baixos. A agregação de valor aqui é imaterial: vende-se a história, a origem e o perfil sensorial do grão.
Com contrato de 30 anos e investimentos estimados em R$ 9,4 bilhões, a concessão foi estruturada a partir de um amplo processo técnico, que incorporou contribuições da sociedade, de gestores municipais e de agentes do setor, resultando em um modelo mais equilibrado, seguro e eficiente para os usuários, destaca a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI).
O projeto estabelece um amplo conjunto de obras voltadas à ampliação da capacidade e à melhoria das condições de tráfego. Durante o período da concessão, estão previstas as execuções de 217 quilômetros de duplicações, 138 quilômetros de faixas adicionais e 86 quilômetros de novas vias marginais, além da implantação de mais de 140 quilômetros de acostamentos, especialmente em trechos críticos para atendimento a emergências e operações de manutenção.
Também estão contempladas 58 novas passarelas e 129 dispositivos de acesso, bem como interseções remodeladas, pontos de ônibus, além do novo contorno viário em Águas da Prata, que vai retirar o tráfego pesado do centro urbano e atender a uma demanda histórica da população local.
A Rota Mogiana foi estruturada para que os benefícios cheguem à população já nos primeiros anos de contrato, com um cronograma que prioriza obras de duplicação, implantação de faixas adicionais e melhorias operacionais em corredores com maior volume de tráfego e relevância logística.
Além das intervenções físicas, o contrato prevê a modernização da operação rodoviária, com monitoramento permanente, atendimento 24 horas, sistemas de comunicação com os usuários e apoio rápido a emergências, elevando o padrão de serviço desde o início do contrato.
A expectativa é de que com a concessão, aproximadamente 2,3 milhões de pessoas de 22 municípios sejam beneficiadas, incluindo Aguaí, Águas da Prata, Artur Nogueira, Cajuru, Campinas, Casa Branca, Cosmópolis, Espírito Santo do Pinhal, Estiva Gerbi, Holambra, Itobi, Jaguariúna, Limeira, Mococa, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Santa Cruz da Esperança, Santo Antônio de Posse, São João da Boa Vista, São José do Rio Pardo, Tapiratiba e Vargem Grande do Sul.
A Rota Mogiana integra a nova rodada do Programa de Concessões Rodoviárias do Estado de São Paulo, que combina trechos sob administração pública e privada, com grande parte da arrecadação proveniente de praças já em operação. O modelo adota o sistema de pedágio eletrônico (Siga Fácil), que permite a cobrança proporcional ao trecho percorrido, promovendo maior justiça tarifária e fluidez no tráfego.
O projeto reafirma o compromisso do Governo de São Paulo com um modelo de infraestrutura moderno, eficiente e orientado ao usuário, alinhado às melhores práticas nacionais e internacionais.