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Captação de cinco órgãos no HGE dá nova chance de vida a pacientes que aguardam transplante em Alagoas

O procedimento foi realizado após exames que confirmaram a morte encefálica e depois da autorização da família

Colaboração para o Jornal Online Alagoas
Por: Colaboração para o Jornal Online Alagoas Fonte: Secom Alagoas
13/03/2026 às 14h56
Captação de cinco órgãos no HGE dá nova chance de vida a pacientes que aguardam transplante em Alagoas
Trabalho mobilizou equipe multidisciplinar no centro cirúrgico do hospital - Beatriz Castro/ Ascom HGE
Thallysson Alves / Ascom HGE

Um gesto de generosidade em meio à dor trouxe esperança para pacientes que aguardam por um transplante em Alagoas. No Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, foi realizada, na quinta-feira (12), a captação de cinco órgãos de um doador de 30 anos, diagnosticado com morte encefálica, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico.

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Com a autorização da família, foram captados rins, fígado e córneas, que transformaram e salvaram vidas de pacientes que aguardam por um transplante. Segundo a Central de Transplantes de Alagoas, 627 pessoas aguardam por um órgão no Estado (586 córneas, 30 rim e 11 fígado), número que reforça a importância da doação e da conscientização da população sobre o tema.


A captação de órgãos no HGE mobilizou uma grande equipe multidisciplinar, formada por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, profissionais da Central de Transplantes de Alagoas, da Organização de Procura de Órgãos (OPO). Cada etapa foi realizada com precisão e respeito ao doador, desde a manutenção dos órgãos viáveis até a cirurgia de retirada e o transporte para as equipes transplantadoras.


A coordenadora Central de Transplantes de Alagoas,  Daniela Ramos,  destaca o trabalho integrado das equipes e o compromisso com a vida. Para ela, a captação de órgãos é um processo que exige preparo técnico, sensibilidade e um trabalho conjunto entre diferentes profissionais.


“O nosso papel é garantir que todo o procedimento seja realizado com respeito ao doador e à família. Também prezamos pela segurança para que esses órgãos possam chegar a quem mais precisa de forma adequada e aptos ao transplante”, afirma Daniela Ramos.


Conversar sobre Doação


A gestora reforça que conversar com a família sobre o desejo de ser doador de órgãos é fundamental. Esse diálogo pode facilitar a decisão em um momento delicado e aumentar as chances de que a doação aconteça. Daniela Ramos enfatiza que a doação de um único doador pode salvar muitas pessoas e melhorar significativamente a qualidade de vida de pacientes.


“Em meio ao luto, a família do doador tomou uma decisão que ecoa como um gesto de amor ao próximo. Graças a essa escolha, cinco pessoas terão agora a oportunidade de continuar vivendo, enxergando ou retomando suas rotinas com mais qualidade de vida. A nossa equipe da Central de Transplantes, da OPO e do HGE expressa profunda gratidão à família, reconhecendo a grandeza de um ato que transforma a dor em esperança”, salienta Daniela Ramos.


Morte Encefálica


O diagnóstico de morte encefálica ocorre quando há parada completa e irreversível das funções do cérebro. Para que essa condição seja confirmada, o protocolo médico exige uma série de etapas rigorosas. “O processo envolve avaliações clínicas realizadas por dois médicos diferentes, que não fazem parte da equipe de transplante, além de exames complementares que comprovam a ausência de atividade cerebral”, explica o médico coordenador da OPO, Lucas Santana.


Entre os procedimentos realizados, estão avaliações neurológicas, o teste de apneia e exames de imagem que demonstram a ausência de circulação sanguínea no cérebro. Somente após a confirmação definitiva da morte encefálica é que a equipe hospitalar comunica à família e inicia, de forma sensível e cuidadosa, a conversa sobre a possibilidade da doação de órgãos.


No Brasil, a doação de órgãos só acontece com autorização familiar. Mesmo que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora, a decisão final cabe aos familiares. Para o diretor médico do HGE, Miquéias Damasceno, a escolha feita pela família do doador representa um ato de profunda solidariedade.


“Sabemos que é um momento de dor imensa para a família. Ainda assim, eles encontraram forças para tomar uma decisão que vai salvar e transformar a vida de outras pessoas. Esse gesto representa esperança para quem está na lista aguardando por um transplante e o HGE cumpre com a sua missão de salvar mais vidas”, pontua o diretor médico da unidade hospitalar.

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