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Sessenta escolas estaduais participam da edição 2026 da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica

Mais de 6000 alunos da rede estadual se submeteram às provas que aconteceram em todo o Brasil nesta sexta-feira

Colaboração para o Jornal Online Alagoas
Por: Colaboração para o Jornal Online Alagoas Fonte: Secom Alagoas
16/05/2026 às 13h21
Sessenta escolas estaduais participam da edição 2026 da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica
Olimpíadas mobilizaram estudantes em todo o estado - Alexandre Teixeira, William Kevin e Ana Paula Lins /Ascom Seduc
Kaique Pacheco e Ana Paula Lins/Ascom Seduc

Sessenta escolas estaduais participaram nesta sexta-feira (15) das provas da edição 2026 da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA). Ao todo, 6.597 estudantes da rede estadual foram inscritos na competição, que também conta com os lançamentos da Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG).

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Promovidas pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) e pela Agência Espacial Brasileira (AEB), a OBA e a OBAFOG visam fomentar o interesse pela Astronomia, Astronáutica e ciências afins entre estudantes do ensino fundamental e médio de escolas públicas e particulares de todo o Brasil. Participam das duas olimpíadas estudantes dos ensinos fundamental e médio de escolas públicas e privadas: em Alagoas, 51.320 estudantes de 321 escolas estiveram presentes nas duas competições.


Foguetes




O lançamento de foguetes é um dos momentos mais esperados da OBA. Os estudantes se empenham para que foguetes de canudo, papel ou garrafa pet voem alto após serem impulsionados por ar comprimido e pela reação vinagre + bicarbonato de sódio.


Na Escola Estadual Professora Gilvana Ataíde Cavalcante Cabral, no bairro da Santa Lúcia, em Maceió, os alunos estavam determinados em fazer com que seus foguetes fossem longe. A unidade de ensino também comemorou o aumento no número de inscritos na prova teórica, que este ano quintuplicou, passando para 127 participantes. Na quinta-feira (14), a área externa da escola se transformou em uma base de lançamentos, onde a teoria da sala de aula ganhou os céus.


Alcance recorde




Sob a supervisão do professor de Física, Ailton Cardozo, os alunos lançaram foguetes artesanais impulsionados pela reação química de vinagre e bicarbonato de sódio. E os resultados foram animadores. Para serem classificados, os protótipos precisam atingir a marca de 210 metros, mas a turma da Gilvana Ataíde foi além.


"O momento foi multidisciplinar. O foguete envolve artes na estrutura, matemática no ângulo de inclinação, além de física e química. Conseguimos obter uma média entre 220 e 230 metros", celebrou o professor Ailton.


Um dos alunos que comemorou o resultado do lançamento foi João Kaique Cordeiro, da 3ª série do ensino médio. A paixão pela astronomia, por sinal, é uma tradição na família. “Tenho um primo astrônomo que é colaborador da OBA e é o meu grande incentivador. Gosto muito de participar destas olimpíadas, a gente aprende bastante “, contou.


A professora de Matemática, Alcione Veiga, reforça que o projeto é a ferramenta ideal para quebrar a resistência que os alunos costumam ter com as disciplinas de Exatas.


"A Olimpíada mostra de forma lúdica que não tem bicho-papão. O aluno percebe que usa a matemática o dia todo. Além disso, incentivamos muito as meninas, já que ainda vemos poucas mulheres na área de Exatas. Ver esse resultado refletido no aumento de inscritos é uma realização", explicou a docente.


Inclusão


A jornada científica da escola também é marcada pela acessibilidade. O Atendimento Educacional Especializado (AEE) teve papel protagonista, com alunos com deficiência participando ativamente de todas as etapas. Guilherme Moura, de 14 anos, estudante autista e novato na escola, deu um show de conhecimento técnico ao descrever a construção do seu foguete.


"Construímos o foguete com garrafa PET e materiais reutilizáveis, como a ponta feita com tela de televisão. Usamos um balão de água para dar peso e garantir a aerodinâmica. No lançamento, a reação de bicarbonato e vinagre deu o impulso necessário", detalhou Guilherme, resumindo a experiência como "legal e divertida".


Para a professora de Educação Especial, Pâmela Tamires, essa interação é o coração do projeto. "Trabalhamos na perspectiva da educação inclusiva de forma transversal. Nossos estudantes com deficiência participaram em parceria com a sala regular. Trabalhar com o concreto, desde a confecção até a decoração, é uma metodologia ativa que valoriza o processo e a interação de todos", pontuou.


Prova




Além dos lançamentos de foguetes, os estudantes responderam a provas objetivas com dez questões com conteúdos de astronomia e astronáutica. Na Escola Estadual Princesa Isabel, no Cepa, 62 estudantes participaram da prova. O professor de Física João Chakhrian enumera os benefícios que a prova traz para o aprendizado dos estudantes, permitindo aos mesmos assimilar vários conteúdos de forma lúdica e interdisciplinar.


“É uma prova importante porque possibilita aos alunos aprender mais ao longo da prova, que é interdisciplinar, reunindo conteúdos de astronomia, astronáutica e física. Uma prova muito atual para se abordar a ciência de forma contemporânea”, observou o educador.


Astronomia


Alagoas tem registrado crescimento na participação nas duas olimpíadas. Em 2025, o estado mobilizou quase 50 mil estudantes de 348 escolas públicas e privadas, um crescimento de 8% em comparação ao ano anterior.


A rede estadual colheu frutos expressivos no último ano, acumulando 133 medalhas (94 na OBA e 39 na OBAFOG), com destaque para 44 ouros. Vinte e duas escolas estaduais foram premiadas, provando a capilaridade do incentivo à ciência no estado.


Portas abertas para o futuro


Participar da OBA e da MOBFOG vai muito além de ganhar medalhas e certificados. Para os alunos do ensino médio, o bom desempenho pode garantir o ingresso direto no ensino superior.


Instituições renomadas como a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Federal do Mato Grosso (UFMS) oferecem as chamadas "vagas olímpicas", onde o medalhista entra na universidade sem precisar passar pelo vestibular tradicional.


Além disso, os melhores lançadores de foguetes (níveis 3 ao 6) ganham o convite para a prestigiada Jornada de Foguetes em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro. Em nível nacional, este ano serão distribuídas mais de 130 mil medalhas, mantendo o Brasil como um dos maiores participantes de competições de astronomia no mundo.

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