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Patrimônio Vivo de Alagoas, Mãe Neide celebra reinauguração de terreiro símbolo de resistência

Palácio teve sua história descrita em livro publicado pela Imprensa Oficial; espaço também abriga ONG que oferta serviços à comunidade do Village C...

Colaboração para o Jornal Online Alagoas
Por: Colaboração para o Jornal Online Alagoas Fonte: Secom Alagoas
28/05/2026 às 23h12
Patrimônio Vivo de Alagoas, Mãe Neide celebra reinauguração de terreiro símbolo de resistência
Diário de uma Mãe de Santo, de Mãe Neide, foi o título mais vendido na 11ª edição da Bienal Internacional do Livro de Alagoas - Bruno Soriano / Ascom Imprensa Oficial
Bruno Soriano / Ascom Imprensa Oficial

Localizado no Conjunto Village Campestre II, parte alta de Maceió, o Palácio Oyá D’Oxum nasceu com o propósito de preservar, fortalecer e disseminar as tradições da cultura afro-brasileira e das religiões de matriz africana. Território de ancestralidade e pertencimento, o espaço foi revitalizado por completo, sendo reaberto à comunidade neste mês de maio, com direito, inclusive, à visita guiada.

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Fundadora do terreiro que também abriga um centro de formação e inclusão social, Mãe Neide Oyá D' Oxum celebra a reabertura do lugar, cuja história foi contada em “Diário de uma Mãe de Santo”, publicado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos.

Recorde de vendas na 11ª edição da Bienal Internacional do Livro de Alagoas, a obra é a segunda de sua autoria. Nela, a sacerdotisa descreve não apenas a rotina espiritual de uma mãe de santo, mas, também, o processo de formação do terreiro que se tornou símbolo de resistência cultural, dos obstáculos em torno da compra do terreno, adquirido na década de 80, à série de inundações que quase devastaram o sonho da arapiraquense Maria Neide Martins, a Mãe Neide.

O livro, inclusive, já foi adotado pela Secretaria de Estado da Ressocialização e Inclusão Social (Seris) como forma de incentivar a leitura entre os reeducandos – os encontros acontecem por meio do projeto Makuiu N'Zambi, idealizado pelo Pai Manoel Xoroquê, que introduziu as religiões de matriz africana no sistema prisional, fortalecendo a liberdade de culto e, dessa forma, a assistência espiritual ofertada aos apenados.

Hoje, o Palácio Oyá D'Oxum é mais que um templo religioso. Isso porque, há 30 anos, Mãe Neide decidiu ir além do acolhimento espiritual ao fundar a ONG Inaê, que funciona em um espaço anexo. Nele, 160 famílias em situação de vulnerabilidade podem acessar vários serviços de saúde, além de cursos profissionalizantes que fomentam o empreendedorismo, com destaque para o laboratório de gastronomia. Some-se a isso a Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI), ferramenta com a qual também é possível promover a educação antirracista.

“O terreiro é, de fato, a realização de um sonho. E a ONG surgiu dessa preocupação que sempre tivemos, da necessidade de assistir uma comunidade aflita. Ela [a ONG] começou pequena, quando tínhamos apenas uma roda de capoeira. Hoje, graças a parceiros como o Sebrae e a Ufal, conseguimos dar perspectiva de vida para muitos jovens, abrindo horizontes com a oportunidade de geração de renda. Não paramos sequer com a pandemia [da Covid-19]. Foi assim com muitas mulheres que daqui saíram costureiras e empoderadas”, recorda a yalorixá que é Patrimônio Vivo de Alagoas.

Com a reinauguração, o mesmo Palácio Oyá D'Oxum também ganhou o Memorial Oxum Danguê, cujos óculos de realidade virtual apresentam mais de 100 peças que ajudam a contar a história de uma família de santo, com destaque para os assentamentos dos orixás de Pai Rubilho de Oxum e Mãe Celina de Oxalufan.

“Foi muito gratificante ver a nossa casa tomada por pessoas de todas as classes sociais. Tivemos que pedir à Prefeitura que fechasse a rua principal, numa clara demonstração de que nossa luta contra o preconceito começa a dar resultado. A então proprietária do terreno chegou a dizer que não o venderia para uma macumbeira. Foram muitas as dificuldades. Muita gente não acredita, mas já enfrentamos 14 enchentes ao longo desse tempo. Cheguei ao ponto de me trancar no quarto para não mais presenciar tudo aquilo. E tudo isso é retratado em Diário de uma Mãe de Santo”, reforça a patronesse da Bienal 2025.

Mãe de quatro filhos biológicos e de aproximadamente 200 filhos de santo, Mãe Neide destaca a importância da obra como ferramenta de conhecimento, espiritualidade e resistência. “Sou muito grata à Imprensa Oficial pela oportunidade me foi proporcionada. Pude trilhar um caminho de cura ao escrever esse livro, que não só conta a minha história, mas também fortalece o combate à discriminação em nosso estado, terra da Quebra de Xangô. E espero que iniciativas como essa possam conscientizar cada vez mais pessoas de que a população negra merece mais que respeito”, reflete a também gastróloga.

Além de Diário de uma Mãe de Santo, Mãe Neide também é autora do livro de receitas Wa Jeun: Sabores Ancestrais Afro-Indígenas, que reúne mais de 130 páginas com iguarias que celebram a culinária tradicional dos povos originários.

Ambos integram a Coleção Mulheres Extraordinárias e podem ser adquiridos na sede da Imprensa Oficial Graciliano Ramos, localizada à Avenida Fernandes Lima, s/n, bairro Gruta de Lourdes, em Maceió, ou pelo site www.imprensaoficial.al.gov.br.

O Diretor-presidente da Imprensa Oficial, Mauricio Bugarim, destaca o alcance da obra de Mãe Neide, Doutora Honoris Causa da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal). “Foi uma honra poder contribuir para que mais esse livro se tornasse realidade. É a segunda publicação de uma obra escrita por Mãe Neide. Isso demonstra que a editora do Governo de Alagoas valoriza, verdadeiramente, a diversidade e a cultura local, fomentando a inclusão e combatendo todas as formas de preconceito em nosso estado”, avalia o gestor.

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