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Pesquisa apoiada pelo IEF aumenta chances de reintrodução de papagaios resgatados do tráfico na natureza

Estudo realizado no Cetras de Juiz de Fora demonstra eficácia de treinamentos comportamentais e reforça importância do combate ao tráfico de animai...

Colaboração para o Jornal Online Alagoas
Por: Colaboração para o Jornal Online Alagoas Fonte: Secom Minas Gerais
25/06/2026 às 08h00
Pesquisa apoiada pelo IEF aumenta chances de reintrodução de papagaios resgatados do tráfico na natureza
Matheus Lara / Pexels

O Instituto Estadual de Florestas (IEF) tem fortalecido suas ações de proteção à fauna silvestre por meio do incentivo à pesquisa científica e do trabalho desenvolvido nos Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras). Um exemplo desse esforço é a pesquisa realizada no Cetras de Juiz de Fora, em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que trouxe resultados promissores para a conservação de papagaios do gênero Amazona, um dos grupos de aves mais afetados pelo tráfico de animais silvestres na América do Sul.

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Dados da Lista Nacional de Espécies Ameaçadas, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo ICMBio, apontam que o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) lidera as estatísticas de apreensões no Brasil. Outras espécies, como o papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) e o papagaio-charão (Amazona pretrei), também enfrentam sérias ameaças devido à captura ilegal e à perda de habitat.

Buscando aprimorar estratégias de reabilitação e aumentar as chances de sobrevivência dessas aves após a soltura, o IEF apoiou o estudo conduzido pela doutoranda Gabriela de Araújo Porto Ramos, sob orientação da professora Aline Cristina Sant’Anna, da UFJF. A pesquisa avaliou 38 papagaios mantidos sob a tutela do Cetras de Juiz de Fora, incluindo animais resgatados do tráfico ilegal.

Os indivíduos passaram por treinamentos de voo e de aversão à presença humana, além de avaliações comportamentais e exames parasitológicos. Os resultados demonstraram que as técnicas aplicadas foram altamente eficazes. Cerca de 90% das aves apresentaram melhora significativa na capacidade de voo e passaram a rejeitar alimentos oferecidos por pessoas, comportamento considerado essencial para reduzir os riscos de recaptura após o retorno à natureza.

Segundo a diretora de Proteção à Fauna do IEF, Ariane Goulart, o estudo reforça a importância do trabalho desenvolvido pelos Cetras na recuperação dos animais vítimas do tráfico. “Quando são retirados da natureza e submetidos ao tráfico, os animais enfrentam situações de estresse, manipulação constante e exposição a doenças, fatores que comprometem sua saúde e seu comportamento. Trabalhos como este contribuem diretamente para aumentar as chances de sucesso da reintrodução”, destaca.

Saúde animal e saúde pública

Além dos aspectos comportamentais, a pesquisa também revelou a importância do acompanhamento veterinário durante todo o processo de reabilitação. Na avaliação inicial, 47,37% dos papagaios apresentavam parasitas intestinais. Após tratamento realizado pela equipe do Cetras, o índice caiu para 18,42%.

De acordo com Ariane Goulart, a descoberta evidencia também os riscos que o tráfico de animais silvestres representa para a saúde pública. “Por isso é crucial que, ao adquirir um animal de estimação, a população procure apenas criadouros legalizados. A questão do tráfico de animais silvestres também envolve a saúde pública, uma vez que algumas zoonoses podem ser transmitidas aos seres humanos”, alerta.

Alimentar animais silvestres pode colocá-los em risco

Outro resultado importante do estudo foi a constatação de que papagaios mais curiosos e menos arredios tendem a aceitar alimentos oferecidos por humanos com maior facilidade, tornando-se mais vulneráveis à captura. Já os indivíduos mais cautelosos apresentaram melhor desempenho de voo e características associadas a maiores chances de sobrevivência em vida livre.

A pesquisa reforça um alerta frequentemente feito pelo IEF: alimentar animais silvestres em seu habitat natural pode causar impactos negativos à conservação das espécies. “É fundamental que a população compreenda que não deve oferecer alimentos aos animais silvestres, mesmo que sejam itens presentes em sua dieta natural. Esse comportamento pode fazer com que eles se acostumem à presença humana e se tornem mais suscetíveis ao tráfico. Somos corresponsáveis por nossas ações e omissões”, enfatiza a diretora.

Papel estratégico dos Cetras

Para o IEF, iniciativas que unem pesquisa científica, manejo especializado e conservação da fauna são fundamentais para fortalecer as políticas públicas de proteção à biodiversidade e enfrentar uma das principais ameaças à fauna brasileira: o tráfico de animais silvestres.

Nesse contexto, os Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres desempenham papel estratégico em Minas Gerais. As unidades recebem animais resgatados de situações de tráfico, cativeiro irregular, atropelamentos e outros impactos ambientais, promovendo atendimento veterinário, reabilitação e destinação adequada, com foco na reintegração à natureza sempre que possível.

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