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Edvan Azevedo: Marketing Esportivo na Gestão de Crise e Reputação de Marca: Nike e CBF

A eliminação precoce da Seleção nas oitavas de final da Copa de 2026 coroou um período de extrema turbulência.

Colaboração para o Jornal Online Alagoas
Por: Colaboração para o Jornal Online Alagoas Fonte: Edvan Azevedo
08/07/2026 às 07h29
Edvan Azevedo: Marketing Esportivo na Gestão de Crise e Reputação de Marca: Nike e CBF
Foto: Gerada por IA

O Marketing Esportivo é um segmento do marketing focado na promoção de marcas, produtos ou serviços utilizando o esporte como canal de conexão emocional. Ele funciona em duas frentes: o marketing do esporte (venda de ingressos, camisas e o evento em si) e o marketing pelo esporte (marcas que patrocinam atletas e federações para herdar a paixão do torcedor).

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No entanto, o esporte é imprevisível. Quando os resultados em campo falham, a conexão emocional pode se transformar em rejeição. O ano de 2026 desenhou um dos cenários de crise e desconexão cultural mais emblemáticos do futebol brasileiro, envolvendo a Nike e a CBF antes e depois da eliminação da Seleção Masculina para a Noruega, nas oitavas de final da Copa do Mundo.

Gestão de Crise e Reputação de Marca: Nike e CBF

A eliminação precoce da Seleção nas oitavas de final da Copa de 2026 coroou um período de extrema turbulência. A crise de reputação das marcas não começou com o apito final do jogo contra a Noruega; o resultado em campo apenas detonou uma bomba relógio armada por erros estratégicos de marketing e desalinhamento cultural meses antes do torneio.

A tabela a seguir resume as principais crises enfrentadas no ciclo de 2026 e as respectivas ações de gerenciamento de reputação:

Fator de Crise

O Erro de Marketing

A Reação / Gestão de Crise

O Slogan "Vai, Brasa!"

A Nike inseriu a expressão na gola do uniforme amarelo. Monitoramentos da FGV apontaram 75% de rejeição nas redes, criticada como uma gíria artificial "criada por briefing".

Recuo estratégico: O presidente da CBF, Samir Xaud, foi a público desvincular a entidade da criação da Nike e vetou o slogan, trocando-o pelo clássico "Brasil".

Uso de IA no Promo

O vídeo de lançamento da campanha "Alegria que Apavora" trouxe um canarinho com três patas, erro clássico de imagem gerada por Inteligência Artificial.

Controle de Danos Passivo: A marca evitou debater a tecnologia em si, mas mudou o foco para a coleção secundária da linha Jordan Brand.

Preço Exorbitante

Uniformes lançados a R$ 750 (versão jogador) geraram forte ruído de elitização em um momento de baixo desempenho esportivo.

Foco no Varejo: Liquidações agressivas em canais diretos (Direct-to-Consumer) para escoar o estoque encalhado após a eliminação.

A Eliminação (Noruega 2x1)

A queda precoce quebrou a promessa de marketing do "pássaro que rompe as grades após 24 anos" de jejum.

Silêncio e Transição: Interrupção imediata das peças focadas na Copa e ativação rápida do Jumpman (Jordan) no vestuário focado em lifestyle urbano.

Análise dos Erros e Lições de Branding

Branding não é democracia, mas consumo é cultura. Marcas globais erram quando acreditam que sua potência de mercado basta para reprogramar símbolos afetivos de um país. A camisa da Seleção Brasileira condensa memória e identidade; tentar impor narrativas artificiais cria rejeição imediata.

  1. A Desconexão Cultural da Nike: Ao tentar rejuvenescer a linguagem para gerar engajamento no TikTok e redes digitais, a agência da Nike (com designers baseados fora do Brasil) fabricou expressões que o torcedor comum não usa. O marketing tentou impor a cultura, em vez de se integrar a ela.
  2. A CBF "Terceirizando" a Culpa: Na gestão da crise, a CBF adotou uma postura de autodefesa para proteger sua própria reputação. Ao barrar o "Vai, Brasa!" e expor na TV que a decisão foi exclusivamente da fornecedora americana, a federação jogou o ônus do erro de comunicação inteiramente no colo da Nike.
  3. O Acerto com a Jordan Brand: O único ponto elogiado no ciclo foi o uniforme azul com o logo do Jumpman. Como a linha foi tratada puramente como internacionalização, moda de rua e lifestyle, o público aceitou a ousadia comercial, mostrando que o torcedor aceita a inovação, desde que o manto principal sagrado (o amarelo) seja respeitado.

O desfecho de 2026 mostrou que, no Marketing Esportivo moderno, dados de engajamento e hype publicitário não sustentam uma marca se o produto ferir o sentimento de pertencimento do consumidor, especialmente quando a bola se recusa a entrar.

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Edvan Azevedo
Edvan Azevedo
Mestre em marketing digital, especialista em comunicação e graduado em marketing. Uno minha sólida expertise acadêmica à prática do mercado atuando como professor de marketing na rede estadual de Alagoas. Empreendedor, é transformar ideias em realidade, gerando impacto e renda na comunidade. É a coragem de assumir riscos, inovar e criar soluções, construindo um legado que movimenta a economia do estado.
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